EP 14 · 04/06/2026 · 56:52

O Coração avisa, mas vocês está ouvindo?

Ricardo Zago (cardiologista, Hospital do Pilar) · assistir no YouTube

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Stoix e o convidado

Leitura comercial interna: onde o negócio do convidado encosta no da Stoix, onde disputa, e o que dá para propor. Material de preparação, não vai para o convidado.

Dr. Ricardo Zago (cardiologia, Hospital do Pilar)Saúde, cardiologia clínica e medicina preventiva

Cardiologista com título pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, integrante da equipe de cardiologia clínica do Hospital do Pilar, com passagem por Santa Casa e outros hospitais de Curitiba, e consultório onde também trata obesidade. Discurso todo apoiado em prevenção e avaliação individualizada, sem nenhuma menção a preço, canal de agendamento ou operação comercial própria.

Sinergia

Onde o negócio dele encosta no que a Stoix faz.

  • O argumento central dele ('não existe receita de bolo, é avaliação individualizada', 29:36) é o mesmo da Stoix contra SaaS de prateleira, o que facilita conteúdo e venda conjunta.
  • Ele já usa e defende tecnologia como triagem, não como substituto do especialista (smartwatch e fibrilação atrial, 48:28 a 49:44), o que abre porta para produto com médico no fluxo.
  • O público do episódio é homem de meia idade que não se cuida, exatamente o dono de empresa que compra programa de saúde para si e para o time.

Atrito e competição

Onde disputam orçamento, papel ou têm visões conflitantes.

  • Relação puramente complementar: ele não vende nem compra tecnologia, não disputa orçamento com a Stoix e não tem oferta concorrente.
  • O problema é de porte do comprador: médico pessoa física compra consultório, e o orçamento relevante está no Hospital do Pilar, onde ele não é o decisor.

Oportunidades comerciais

O que dá para vender, construir junto ou indicar.

  • Programa de saúde para empresas clientes

    Empacotar checkup executivo dele com camada digital da Stoix (agendamento, laudos e painel para o RH) e vender às empresas da carteira como benefício, cobrando por vida atendida. Agora porque ele quer volume qualificado e a Stoix já tem acesso a donos.

    Co-criação
  • Entrada no Hospital do Pilar

    Usá-lo como sponsor interno para chegar à diretoria do hospital, onde estão integrações, laudo e LGPD. O episódio é o pretexto de relacionamento, a proposta precisa ser desenhada para o hospital, não para ele.

    Indicação
  • Presença digital do consultório

    Site, agendamento e captação para o consultório próprio dele, ticket baixo, útil como vitrine em saúde. Só faz sentido se financiado como investimento de portfólio, porque não paga a conta.

    Venda direta

Perguntas em aberto

O que precisa de resposta antes de montar proposta.

  1. Ele é sócio de clínica própria ou apenas corpo clínico do hospital? Isso define se existe comprador com CNPJ.
  2. Quem decide tecnologia no Hospital do Pilar e existe orçamento anual de TI, ou tudo passa pelo fornecedor atual de prontuário?
  3. Qual o incumbente de prontuário e agenda, e há contrato vigente com prazo?
  4. Ele topa emprestar o nome a um programa corporativo de prevenção e ser remunerado por vida atendida?
  5. Existe hoje um cliente da Stoix com demanda de saúde ocupacional que sirva de piloto pago em 90 dias?

Levantamento a partir do que foi dito no episódio, complementado por pesquisa pública. Onde está escrito "a confirmar" ou "provável", é hipótese, não fato verificado. Uso interno Stoix.

Trecho falado no ponto de abandono médio Objeção levantada ou rebatida Momento-chave

03:20Bem-vindo, amigas e amigos do Stoiccast, o podcast do Stoiks.dev.

03:26Hoje com uma presença ilustríssima que vai aquecer e cuidar dos nossos corações. [risadas] Querido Ricardo Zago é cardiologista, é especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, é eh cardiologista titular no Hospital do Pilar e atua em

03:43diversas clínicas hospitais em Curitiba, região. Eh, Zago, bem-vindo, muito obrigado, né? E primeiro, né, te agradecer pela oportunidade de estar aqui compartilhando, eh, sei que a sua agenda é muito corrida e compartilhando

03:55um pouquinho do seu tempo, do seu conhecimento comigo, que convido você justamente por motivos pessoais e por curiosidade, mas também com todo mundo que nos escuta, né, que eu acho que é muito importante. E primeiro gostaria de

04:07saber, conte um pouquinho da sua história, né, eh, como que você foi parar na medicina, eh, por a medicina, por a cardiologia. eh, compartilha um pouco com a gente dessa trajetória que é muito importante, » tá bom? Primeiramente, boa noite,

04:20Rodolfo, boa noite ao pessoal que tá Rodolfo, boa noite ao pessoal que tá acompanhando.

04:23Eh, primeiro quero agradecer a oportunidade de estar aqui. Eu fico muito feliz em poder compartilhar essa experiência médica eh da cardiologia e também a minha trajetória profissional.

04:37E vamos conversar hoje sobre vários assuntos aí. Bom, respondendo a pergunta, eh, a medicina para mim começou no ano 2007. Eu tava fazendo, terminei o colégio, comecei o cursinho e aqui inicialmente o

04:54meu pai é advogado e ele queria que eu estudasse direito.

04:58» Livrou do direito.

05:00» Exatamente. E aconteceu por algumas indas e vindas da vida que eu tive a oportunidade de estudar no exterior, né, na Bolívia especificamente.

05:11E eu fui para lá, estudei, terminei minha formação médica lá. E no ano no ano 2013 eu volto para o Brasil e aqui eu faço todo o processo de revalidação do diploma médico. E a partir daí eu tinha uma escolha fazer eh qual o

05:27caminho que eu ia seguir, né? Eh, desde o começo da faculdade eh sempre me interessou muito a questão clínica, porque o médico quando ele entra na na faculdade, ele tem basicamente duas

05:42opções, né? Ou ele vai para uma área clínica, ou ele vai para uma área cirúrgica. Quem tem as habilidades manuais, geralmente opta pela área cirúrgica. Aí o cara vai lá, faz cirurgia geral e depois ele pode escolher uma subespecialidade.

Ponto de abandono médio · 6:25 · retenção 11,3%

05:58Eu sempre gostei mais da parte clínica, como é que funcionava o corpo, contato com o paciente, » o lado humano, » o lado humano, não que o cirurgião não seja, né, mas eh o clínico ele tem um contato mais próximo com o paciente, né?

06:13E e dentre as especialidades clínicas, a que sempre me chamou mais atenção foi a cardiologia, porque eh isso é todo especialista fala a mesma coisa, mas na minha visão o coração é o centro do organismo, é o é o órgão que comanda

06:30tudo. Então eh isso me atraía muito e eu, né, no final da faculdade já tava inclinado a fazer. E estando aqui em Curitiba, eu conheci uma cardiologista que se chama Edamar Moro. É uma, ela é

06:45bem conhecida aqui em Curitiba, uma excelente cardiologista e ela me deu a oportunidade de eu começar a acompanhar o serviço de cardiologia junto com ela.

06:54o serviço de cardiologia junto com ela. » Legal.

06:56» E foram um ano e meio que eu pude acompanhar antes de eu tomar a decisão de realmente partir para uma especialidade, né, pr pra especialidade em si.

No abandono médio o convidado ainda narra a própria trajetória (por que cardiologia, mentoria em Curitiba). O tema do título entra só em 7:42 e os dados fortes a partir de 9:54.

07:06em si. e só reforçou o meu desejo, né, minha minha vontade. E a partir daí surgiu a oportunidade de eu entrar na residência do Hospital Angelina Carum. E e assim foi, eu consegui entrar na residência, foram 4 anos e a partir daí a vida me

07:25levou para vários outros lugares. Aqui em Curitiba a gente, eu já trabalhei em diversos hospitais, já trabalhei no hospital eh Santa Casa, trabalho ainda no Hospital do Caron e hoje, basicamente eu tô eh na equipe da cardiologia

07:39clínica do do Hospital do Pilar.

Momento-chave: fim da biografia, entra o tema autocuidado masculino07:42» Muito legal. A gente tem na saúde um paradoxo, né? O o homem principalmente.

07:47Eu acho que a mulher ela tem mais essa visão do autocuidado, mas o homem masculino ele negligencia, ele vai eh cuida de carro, cuida de casa, cuida de trabalho, mas não cuida de si. E o coração, né, como você mesmo falou, é um

08:04órgão principal, é, né, a chave de tudo no nosso nosso organismo.

08:09Por que, na sua experiência e opinião, por que que a gente negligencia tanto essa perspectiva do autocuidado, né, e o que e o que não fazer ou o que fazer, né? A partir de que momento que eu tenho que começar a olhar, fazer exames,

08:25enfim, né? Primeiro, mas na sua perspectiva, por que que a gente procura só quando realmente tá tendo uma crise, um indício muito grave, um incidente? É, veja, desde os primórdios da medicina se tinha a cultura que eu vou procurar o

08:43médico quando eu estiver doente, né?

08:47E essa e essa filosofia ela perdurou muito tempo. Então, antigamente não existia o conceito de eu vou ao médico para evitar ficar doente, né? E esse o ser humano era assim, mas

Objeção: «só vou ao médico doente»: prevenção evita infarto e AVC09:03conforme a a educação, a informação foi se difundindo, as pessoas vêm percebendo que melhor do que você ir no médico quando você ficar doente é você ir no médico para não ficar doente, né? Porém,

09:18o homem, né, mais do que a mulher, ele tem essa questão meio cultural tem essa questão meio cultural de de eh ir relevando alguns sinais eh durante a vida e não procurar o médico para fazer

09:35essa prevenção, né? E bom, basicamente, eh, o, a prevenção cardiovascular hoje é o fundamental, né? você vê que muitas muitas doenças ou acometimentos

09:54cardiovasculares, eles podem ser prevenidos eh por uma simples consulta, um simples acompanhamento. muitas coisas que é, por exemplo, o infarto, o AVC, se ele se você consegue identificar os fatores de risco a tempo e consegue

10:10tratá-los, isso e impede que no futuro você possa vir a ser acometido por um infarto ou um AVC, né? E o homem ele infarto ou um AVC, né? E o homem ele basicamente tem um risco cardiovascular mais aumentado em relação à mulher.

10:25» Ah, não sabia.

Momento-chave: dado surpresa: homens morrem mais que mulheres10:26» É, morrem mais homens do que mulheres do ponto de vista cardiovascular, né?

10:32por diversos fatores. O homem ele é mais exposto a mais exposto a fatores exposto a mais exposto a fatores ambientais.

10:38O homem ele tem um um processo de envelhecimento um pouco mais rápido do que a mulher e e também o homem por justa justamente por isso, morre mais porque procura menos o médico, né?

10:51» Trata menos.

10:52» Exatamente. Trata menos. Então existe existe essa questão. Você você me perguntou mais alguma coisa, Rodolfo, » que era justamente o o que que seria esse autocuidado, né? Ou ou quais são os passos, a partir de que momento que vale

11:06a pena começar a olhar ou ou bom, isso depende muito, né? Depende muito da história familiar do do indivíduo, né? Existem indivíduos que eh não tem nenhum histórico na família de

11:22doenças cardiovasculares, infarto, AVC.

Momento-chave: checkup a partir dos 35 a 40 anos11:25E esses indivíduos, eles podem começar a procurar um médico eh cardiologista a partir dos 35, 40 anos. Por quê? Porque é a partir daí que começa o processo de envelhecimento dos vasos sanguíneos, né, de todo o sistema cardiovascular. Então,

11:42basicamente se você não se você não tem nenhum sintoma a partir dos 35, 40 anos e principalmente para quem quer começar a fazer qualquer tipo de atividade física mais vigorosa, hoje tá tá rpado essa questão de de corrida AOM. Então,

11:58» cara, e como tem acontecido casos, né?

12:00tem sido muito frequente, tem tem, né, dentro de uma proporção de centenas de milhares de corredores, mas toda hora alguma corrida tem um caso de alguém que cai e falece por questão cardíaca.

12:14» É, sempre existiu, né? Só que hoje a informação acontece alguma coisa lá no outro lado do mundo, uma hora depois a gente tá sabendo.

12:23» É raro, né? Não é algo comum, mas realmente acontece. E aí você me pergunta, eh, e talvez, eh, um segmento ou uma se fosse difundido esse acompanhamento

12:38médico, fosse divulgado que da importância do do acompanhamento médico, esses números diminuiriam? Com certeza.

12:45esses números diminuiriam? Com certeza. Sim.

12:46alguns casos a minoria, você já eh fazendo acompanhamento ou não, eh é muito difícil que você fazendo um acompanhamento você vai ter algum infarto ou uma morte súbita numa

13:01competição, mas pode acontecer.

13:03competição, mas pode acontecer. Então, eh, hoje essa questão de de acompanhamento é muito importante.

13:10Então, respondendo a tua pergunta, o acompanhamento, a depender da classificação de risco do indivíduo de de carga familiar ou de doenças, por exemplo, é muito diferente o indivíduo de 40 anos que é saudável, que faz a atividade física, que se alimenta bem,

13:26que tá no peso de um indivíduo de 40 anos que tá com sobrepeso, não se alimenta bem, já é hipertenso, diabético. Então, esse segundo indivíduo, ele tem um risco cardiovascular muito maior. E e aí, né, várias perguntas na minha cabeça estão

13:39surgindo assim, mas e essa questão do sobrepeso, né, a gente ouve muito assim, ah, não, a pessoa é obesa, tem sobrepeso, mas é saudável, né, tá com os exames em dia. Eh, qual é a relação, né, eh, existe obesidade saudável ou igual

13:56ele tá em risco? Eh, porque obesidade é um assídeo, né, considerado uma doença, um assídeo, né, considerado uma doença, né?

14:03sem glamorização e sem nenhum tipo de julgamento ou preconceito. Tem uma relação, existe o obeso saudável ou não?

Objeção: «obeso saudável existe»: obesidade é doença, risco aumentado14:10Veja, como você bem disse, a obesidade realmente é uma doença, né?

14:15Eh, muito mais muito além das questões estéticas, eh se sabe hoje por diversos estudos e cortes e acompanhamentos que quem é obeso e já até mesmo sobrepeso tem um risco cardiovascular aumentado,

14:29ou seja, infartam mais, tem mais doenças, mais diabetes, mais hipertensão. Um dos fatores de risco para hipertensão e diabetes é a obesidade. Então, eh, tá muito relacionado sobre peso e obesidade. Sim, aumento do risco cardiovascular. Você me

14:45pergunta, então, existe paciente obeso pergunta, então, existe paciente obeso saudável?

14:49Veja, se obesidade é uma doença, não existiria saudável. Porém, não significa que uma pessoa magra 100% é saudável.

14:58Isso não significa porque existem pessoas que têm tão eu, eh hectomorfos, que são o peso ideal, que tem colesterol em 200 o LDL, né? Mas realmente a obesidade é um dos principais fatores de

15:14risco para doenças cardiovasculares.

15:15» E agora você falou uma coisa que vira até corte, hein? A gente tá vivendo uma febre da dieta carnista, carnívora, né?

15:23com altos consumos de gordura, com essa discussão, o LDL é influencia, não influencia, é fator de risco, não é fator de risco. Você como cardiologista e com os estudos verdadeiramente capacitados para responder isso, qual é

15:37a relação entre eh o colesterol e o risco cardiovascular, né? e se e essas dietas que abusam de gordura saturada, gordura e polissaturada ou gordura animal eh tem aumentam o risco de doença

15:55animal eh tem aumentam o risco de doença cardiovascular.

15:56» Veja, eh o colesterol ele é subdividido em diversas partículas, né? Existem desde o colesterol bom, que é o HDL, o LDL e algumas outras eh tipos de lipoproteínas, apo

16:12e veja o LDL, que hoje é o grande vilão, que é a partícula grande, que é a partícula que provoca aterosclerose, é a que basicamente, de uma maneira grosseira dizendo, é a que gruda nas artérias, ela não é tão dependente da

16:25dieta, tá? Então assim, eh, existem pessoas que têm uma dieta muito adequada, mas por questão de histórico familiar, questão genética, possuem um LDL alto.

16:39LDL alto. » Perfeito.

16:39» Tá? Porém, claro que eh uma dieta saudável, uma dieta balanceada, você diminui os outros níveis de colesterol no teu corpo, principalmente o triglicerídio. Triglicerídeio é altamente dependente da dieta e da

16:54atividade física. Então, eh, com certeza você fazer atividade física, eh, diminui teu risco de ter algum alguma doença, né, relacionada a a problemas né, relacionada a a problemas cardiovasculares.

17:09Porém, o LDL em si, que é o grande vilão, ele tá mais relacionado à genética do que propriamente dito à alimentação. A dieta hoje baseada em gorduras, o ser humano, eh, a gordura ela é um dos dos nutrientes principais

17:26da vida do ser vivo, né? Eh, carboidrato, proteína e gorduras. Então, a gente precisa, mas tem que ser uma gordura de qualidade e na quantidade adequada. Então assim, se você fazem faz

17:43uma dieta rica em gorduras, mas eh essa gordura é uma gordura que não é aquelas trans polissaturadas, você até pode conviver com isso, com uma dieta, OK?

17:54Mas se você fizer o gasto energético Mas se você fizer o gasto energético necessário, » sim, a gente viu, né, e deve ter circulou, você deve ter visto pessoal comendo manteiga em barra, né, e tirando a gordura da picanha e comendo a gordura

18:06em vez de comer a carne propriamente dita. É, não, isso aí, isso aí já não é um exagero. A grande questão hoje da da das redes sociais, da difusão da informação, ela é boa, porque a informação ela tá na palma da mão de

18:21todos. Eu vejo isso muito no consultório. Tenho pacientes que chegam já com as informações prontas e muitas vezes são informações corretas, mas muitas vezes também eh a qualidade da informação que as pessoas consomem é uma

Objeção: «vi na internet»: qualidade da informação é duvidosa18:36qualidade duvidosa. Então, a dona Maria viu lá no Instagram ou no TikTok que eh tomar mel com alho e várias outras coisas vão vai curar o colesterol. Veja,

18:52eu diria que não. Eh, a dieta é importante e se você basear a tua dieta puramente em gorduras, não for uma dieta balanceada, com certeza você vai ter um aumento do ganho de peso, vai começar com um acumular gordura no só na

19:09barriga, mas nos órgãos, que o que a gente chama de gordura visceral, né? E e isso com certeza vai aumentar o risco de doenças futuras que você possa ter.

19:19Então assim, respondendo diretamente a tua pergunta, não. Eh, assim, esse tipo de dieta difundida hoje não é adequada, de dieta difundida hoje não é adequada, [risadas] [risadas] tá?

19:29» E como que você lida com as redes sociais, né? Porque, cara, a gente vê muita desinformação, né? vê muito muita desinformação, né? vê muito pseudoespecialista, eh, às vezes vê colegas de outras áreas que não fizeram o estudo específico, e

19:43até daí a gente pode entrar em algum outro assunto, mas não fizeram um estudo específico na sua área metendo a mão e falando às vezes uma grosélia sobre e cardiologia, como que você enxerga isso e e o que que você se relaciona nas

19:58redes sociais para eh produzir conteúdo, não sei, né, eh contraargumentar, brigar, enfim, tem alguma Uma dica para quem tá assistindo, como eu sei que aquele especialista é de fato um especialista, não é um fanfarrão que pode colocar minha vida em risco?

20:14» É, eh, como eu disse, hoje a a rede social deu o microfone para muitas pessoas. Isso tem um lado bom e o lado ruim, né? Eh, realmente hoje existem ruim, né? Eh, realmente hoje existem muitos, muitos pseudoespecialistas difundindo

20:30informações falsas, baseado em estudos não creíveis, né, eh, que defendem coisas que a ciência eh comprovadamente diz que faz mal ou que não que não tem benefício nenhum. Tem médico dizendo que

Objeção: «estatina faz mal»: droga das mais estudadas e comprovadas20:47tem um existe um medicamento eh uma classe de medicamentos chamados estatinas, que são a hoje a principal classe de medicamentos indicadas pro tratamento de deslipidemia, que é o colesterol elevado.

21:00colesterol elevado. » Uhum.

21:01» E não sei por qual motivo, existe hoje uma difusão do que a estatina faz mal. E tem muitos, muitos, eh, colegas, eu não sei se eu posso dizer assim, falando contra a estatina, sendo que a estatina

21:15é uma das drogas mais estudadas e mais comprovadamente benéficas pra saúde, eh, evitando infartos, AVC. Então isso é um exemplo que hoje a rede social você precisa ter muito cuidado do conteúdo

21:31que você consome. Como é que você evita que você receba uma falsa informação e comece a praticar um hábito, já seja eh de dieta ou um hábito no teu dia a dia que possa te prejudicar? Primeiro você tem que ver qual é a formação desse

21:47desse dessa pessoa que tá falando contigo, né? Não que o cara ter uma formação vai comprovadamente ou vai garantir que aquela informação é certa, » mas você precisa procurar saber eh, né, da onde que ele tirou essa informação,

22:04qual é o grau de verdade. E infelizmente as pessoas escutam, não vão procurar saber se aquilo é real ou não é e acabam até prejudicando a saúde por conta de de desse de algum tipo de informação ou de dica que de repente não tem nada a ver

22:20com saúde, eh, nada comprovado.

22:22» É, e a medicina ela é muito ampla, né?

22:25Eh, só na na especialização, quantos anos você estudou adicionalmente para ser cardiologista reconhecido e e credenciado na Associação Brasileira?

22:34» Pois é. Eh, medicina são 6 anos, né? E aí você tem todo o processo para você conseguir entrar numa residência que não é automático. Muitas vezes o médico consegue, eles terminam a faculdade e já começa. Outros não. Trabalha ali um ou

22:50dois anos e aí vai paraa residência.

22:52Geralmente é 4 anos.

22:53» A residência tem uma prova específica naquela área que você quer entrar? Ou seja, você começa a estudar antes de entrar na » É a residência.

23:00» É, não é uma prova geral. É uma prova geral pra residência. E aí você entra na cardiologia especificamente são 4 anos.

23:072 anos de clínica médica mais 2 anos de cardiologia propriamente dita. Bom, aí você precisa terminar esses 4 anos e automaticamente você não não meu caso, como eu fiz especialização, você não tem

23:22o título automático da especialidade.

23:26Você precisa provar pra sociedade médica que você tá apto para ter aquele registro de qualificação de especialista. No meu caso, tem que fazer a prova da AMIB, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Você precisa passar nessa prova. Isso depois que você

23:41terminou a residência, você precisa passar nessa prova para você receber o título de cardiologista, porque aí você recebe esse título, você tem um RQE e aí você começa a trabalhar. Mas até você se encaixar no mercado, até é todo um

23:58processo. Então veja, no mínimo aí uns 12, 13, 14 anos para você conseguir.

24:04» É, eu me veio à cabeça aqui dois casos, né? Não vamos dizer nomes, obviamente, mas tem um um oftalmo famoso que se mete a cardiologista e tem um ortopedista famoso que se mete a cardiologista famoso que se mete a cardiologista também.

24:17» É, eu sei. [risadas] » Não, não, a gente não precisa, né, obviamente, né? Mas e qual é o risco para quem tá seguindo alguém que dá essa credencial de médico? Eu sou médico especialista, né? Ainda que não seja na

24:31área que ele tá se propondo a falar. E ele tá lá, né? E as pessoas se baseiam nisso, porque o cidadão médio às vezes não sabe diferenciar.

24:40» Com certeza trata médico como se todo médico fosse igual e como se todo médico soubesse de tudo. O que que você enxerga nisso assim? Ou como que isso transita no seu dia a dia? O que que você já viu no consultório que teve que respirar

24:53no consultório que teve que respirar fundo?

24:54Veja, como eu te disse, eh, a maioria dessas informações ou quando a pessoa recebe esse tipo de informação, o ideal é você checar, né? Não significa necessariamente que se, ah, o fulano ele não é cardiologista, ele não pode falar

25:10de determinado assunto. Isso na área médica a gente consegue, né, falar.

25:15Claro que se você é especialista, você tem mais autoridade naquele assunto.

25:19Porém, se, ah, não, ele é, vamos dizer, ah, ele é um clínico geral, mas ele está falando verdades e e coisas baseados em ciência e e comprovadamente benéficos, não teria

25:35grande problema. Só que hoje o que eu vejo muito eh assuntos eh médicos que por interesse, não sei por qual motivo, interesse próprio, divulgam informações, não que sejam falsas, mas eh sabe aquela

25:52meia verdade, isso faz bem, mas ele não conta o outro lado. Então existe um perigo. Eh o ideal sempre para quem tá consumindo esse tipo de informação é procurar checar. Pô, como é que eu checo isso? Veja, existe hoje você coloca

26:08qualquer informação na internet, você consegue entrar diretamente na base do estudo. E claro que isso não é tão acessível pra população geral, mas você pode consultar em outras fontes. Então a internet é boa por causa disso. Você vê

26:21aquela informação, você consome ela e você automaticamente pode procurar em outra fonte ver se aquilo é real ou não.

26:27Então eu acho que eh a gente independente da formação do indivíduo, eu acho que se você recebe qualquer tipo de orientação, eh, já seja de um especialista ou não, você precisa procurar se aquilo é

26:42realmente verdade, se aquilo vai fazer bem para você. Perfeito, perfeito. Antes de entrar, a gente tava falando um pouquinho de de checkup, né? os momentos de fazer, porque fazer, quando procurar ajuda ou quando olhar, né? Você trouxe

26:57que a partir dos 35 anos pelo envelhecimento o homem já deveria procurar. Uhum. Eh, mas de um modo geral, existem sinais que acendem uma luz amarela ou que quem tá em casa, poxa, eu sinto isso ou eu tenho isso, eu

27:14passei por isso, além da questão genética de um pai, de um avô, que teve alguma questão cardíaca?

27:20alguma questão cardíaca? » Existe.

Momento-chave: o corpo avisa: dor no peito, queda de rendimento27:21E na maioria das vezes, eh, o corpo avisa, né? É muito raro aquele indivíduo que teve um um evento cardiovascular, um AVC, e foi algo súbito que não deu nenhum aviso antes.

27:35Geralmente o sintoma que eu mais recebo aqui, acho que eu mais recebo no consultório é realmente dor no peito.

27:43Grande maioria dos casos não tem nada a ver relacionado com o coração, mas quando tem, meu amigo, tem que investigar porque tem coisa ali, sabe?

27:54Então, [roncando] eh, os sinais não, às vezes não são tão claros. Você não precisa estar com uma dor no peito para saber que você precisa no médico. Às vezes uma diminuição do teu rendimento.

28:05Ah, [ __ ] antes eu conseguia correr na esteira lá na academia a 3 km e de repente essa minha performance ela vai diminuindo agora dois e eu começo a cansar mais rápido, ten um cansaço. Isso é um aviso que o teu corpo tá dando, pô.

28:21Quer dizer que eu vou intar? Não, não necessariamente, mas é um aviso que talvez alguma coisa não esteja bem, né?

28:28Então assim, qualquer sintoma, eh, os mais comuns, dor no peito, falta de ar, muito cansaço, palpitações. Então, esses são sinais claríssimos que realmente você precisa procurar o teu médico, o teu cardiologista, mas às vezes esses

28:44sinais não podem ser podem não ser tão claros como esse exemplo que eu te dei.

28:50Então, e mesmo que, né, igual voltando à aquele assunto que a gente conversou, mesmo que você não tenha nenhum sintoma, meu amigo, a partir dos 40 anos, » façam checkout.

29:00» Então, eu acho, tem um ditado, você tem que ter um amigo policial, um amigo médico e um amigo advogado. É [risadas] assim aí, » com certeza. E o que que é um bom checkup, né? O que que eh que exames que você pede, o que que ele olha, né? Eh,

29:17quanto tempo demora para fazer?

29:20Existe um protocolo assim que, pô, cara, putz, eu quero fazer um checkup, eu vou ter que fazer esse, esse, esse, esse exame. Veja, não é uma receita de bolo, né? Não existe na medicina o Rodolfo, é igual a dona Maria, que é igual o seu

29:36José. não existe a receita de bolo. Isso é uma avaliação individualizada que a gente precisa fazer com o paciente. Mas eh, vamos dizer, um paciente jovem que chega no teu consultório, pô, doutor, eu não tenho doença nenhuma, eu quero

29:52começar a cuidar do meu coração, que exames que eu preciso fazer. Muit das vezes uma consulta bem feita, uma namnese bem feitinha ali já resolve o problema. você vai você vai questionar ele sobre histórico na família, como é

30:06que ele se alimenta, se ele faz atividade física. Então, só nisso a gente consegue. Mas na grande maioria das vezes você faz algum exame complementar. Aí um paciente de baixo risco, você faz um eletrocardiograma, não tem nenhum sintoma, isso às vezes é

30:19muito suficiente um eletrocardiograma e e uns exames laboratoriais básicos, mas isso é muito diferente. Por exemplo, ah, eu quero, tô treinando para para fazer o Iron Man daqui um ano. Calma. Aí é bem diferente. Aí você vai fazer um

30:35protocolo de avaliação para esse paciente. Você vai fazer exames para você garantir com certeza que aquele que ele vai ter rendimento e e o coração dele vai aguentar todo aquele todo aquele stress que é um Iron Man, né?

30:51» Quem se expõe a treinos mais intensos, treinos mais pesados, obrigatoriamente tem que fazer um um acompanhamento mais próximo assim?

30:59» Sem dúvida. Sem dúvida. toda pessoa que faz eh atividade física, eh já seja eh amadora, não precisa nem ser profissional, tá? Eh amadora, ela precisa fazer uma avaliação pré. Por

31:14quê? Porque existem condições que se você, por exemplo, ah, não, eu acordei hoje e me deu na cabeça que a partir de hoje eu vou começar a fazer atividade física. De repente, não é assim, de repente a tua pressão arterial, ela já

31:28tá um pouco mais elevada. Se você vai fazer atividade física, ela vai subir mais, vai aumentar teu risco cardiovascular. Ah, não, não só a questão cardiológica também, eh, sobre eu tô com um sobrepeso de 20 kg, eu vou começar a correr, coitado meus joelhos,

31:43né? [risadas] Então, assim, tem muita muita questão, mas eh basicamente o um paciente que chega querendo sem sintomas, isso a gente tá falando pacientes assintomáticos, né?

31:55que queira fazer um checkup. Eh, geralmente no, quando ele é jovem, geralmente uma boa conversa, uma boa consulta bem completinha e um eletrocardiograma lhe resolve. Mas existem outros tipos de protocolos, exames tal como o ergosespiro, que é o

32:10teste cardiopulmonar, um exame muito completo, onde você coloca o paciente na completo, onde você coloca o paciente na esteira, » de correr.

32:16» Exatamente. Esse é que os jogadores profissionais, atletas profissionais fazem. Ele é um excelente exame. Por quê? porque você consegue estimar eh eh fielmente qual é a capacidade aeróbica daquele paciente, qual é o

32:29consumo de oxigênio dele. Você consegue identificar vários problemas ali, se ele tem eh a chance de ter alguma obstrução nas artérias do coração, nas artérias da da das pernas ou qualquer outra região, se ele tem alguma condição pulmonar,

32:44então é um exame muito completo. O ecocardiograma, que é o ultrassom do coração, também consegue e identificar alterações estruturais na parte cardíaca, que, né, só um simples eletrocardiograma talvez não conseguiria. Então, é muito variado o

33:00protocolo que você vai fazer. Então, é a respondendo objetivamente, é individualizar. O Rodolfo, não é igual a dona Maria.

33:08» E até nas águas a gente tava conversando, a gente frequenta o mesmo clube de barbearia, né? Abraço pro Thiago inclusive.

33:16Abo, galera. E a gente tava conversando justamente sobre isso, né? Porque eu fui perguntar a você eh quais eram os protocolos que eu, né, 42 anos que faço uso de ergogênico, que tem um um uma capacidade de treino pesada e você me

33:31deu alguns exames.

33:33» Exatamente, [risadas] » né? Que que e e isso até um ponto assim, eh, tem alguém que tá mais em risco além do de quem me apresenta sobrepeso e obesidade, né? Tem um perfil de falso saudável que você hoje reconhece?

Objeção: «treino e estou no peso»: perfil do falso saudável33:49» Tem. O falso saudável é aquele cara que ele nunca foi no médico e por pelo fato dele estar ali praticando atividade física, tá no peso, ele acha que ele é saudável. Mas é aquilo, se se ele não conhece de verdade a história da família

34:06dele, história familiar, existem doenças eh genéticas que podem acometer indivíduo jovem. Então é aquele cara que come mal, que dorme mal, porque hoje a saúde cardiovascular ela é ela é baseada em cuidados do dia a dia. Por

34:24exemplo, ah, o cara o cortisol ele não pode estar muito estressado, porque o cortisol lá em cima aumenta risco cardiovascular. Ele tem que dormir bem, ele tem que se alimentar bem. Então, às vezes, o falso saudável é aquele cara

34:35que tá estressado, que tá sedentário, que tá dormindo mal, às vezes a pressão dele tá lá em 180, 90 e ele não sente nada, né?

34:45» Você falou em dormir, né? E eu eu tô comecei a fazer uso do CPAP recentemente, né? Fui fazer polissonografia de sono e tal, fui no médico especialista lá e daí ele ficou assustado com com a pineia, né?

34:59e minha esposa com ronco, né? Sempre ronquei, mas quando saiu do do mero incômodo para um risco, né? E até achei engraçado que ele falou assim: "Não, você tem dois caminhos, ou você passa a usar CEPAP ou espera, né? E essa

35:13» espera a coisa acontecer » e essa doença não dá em velhos". Ele falou assim: "Ah, daí eu falei: "Ah, melhora com o tempo". Dele falando: "Não, morre antes, não, não chega, "Não, morre antes, não, não chega, [risadas]

35:23não chega a ser velho." Qual que é a relação do sono » com o coração, né? Veja, eh, os, o período do sono é onde o nosso corpo ele se regenera, né, até uma certa idade, é no momento da noite do sono que

35:40as nossas células elas começam a se regenerar. Então, se você não tem um sono de qualidade, porque a pineia do sono é o seguinte: você acha que você dormiu bem, só que no outro dia você acorda cansado, com sono, » cara. Impressionante. Faz uma semana que

35:53eu tô usando. Mudou minha vida.

35:56» Mudou minha vida, né? Eu dormia e acordava cansado. Já acordava buscando cafeína, estimulante, não sei quê. Cara, agora eu durmo as mesmas 6 horas, 7 horas que eu dormia.

36:06» Mas você dorme completo, » renovado, cara.

36:09» Porque o que que é a pneia do sono? É um sono picado. Você acorda várias vezes à noite. [ __ ] mas eu não lembro de eu ter acordado, você não vai lembrar, mas você acorda várias vezes à noite. Então, e o sono, para ele ser um sono de

36:20qualidade, ele tem que entrar em diversas, em todas as fases dele. Então, existe a fase rein, a fase não reinas fases, elas precisam estar completas para você conseguir um descanso adequado. Então, musculatura, para, pro musculatura é durante a noite que ela se

36:38regenera. as células e apoptose, que é o que a gente chama, onde que você o o nosso organismo, ele ataca células que podem dar algum problema e fagocita essa célula é à noite. Então, todo o processo de regeneração muitas vezes é à noite.

36:54Então, se você não tem uma uma boa noite de sono, meu amigo, você vai estar estressado, teu cortisol vai estar lá em cima e isso com certeza aumenta o risco cima e isso com certeza aumenta o risco cardiovascular.

37:04» Não, [roncando] muito bom, muito bom. eh que outros fatores que prejudicam o coração? A gente já falou da alimentação, do sono, do estress, questão hereditária, né? Tem eh algum outro elemento que a gente esteja

37:18esquecendo e que os mais importantes hábitos, por exemplo, a gente já falou de alimentação, mas cigarro, cara que fuma. Ah, pô, doutor, eu fumo, vi, eu já fui fumante, tá? Eu parei » na nossa geração, acho que

37:33» 40 a gente teve uma época na juventude que o cigarro ainda era » com certeza » transgressor, aceitável, né?

37:40» É, eu fui fumante. E a partir do momento que eu descobri o mal que que o cigarro provoca, eu falei: "Não, isso não combina comigo, não combina. Eu gosto da minha saúde, gosto do meu corpo, gosto da minha vida, tenho que parar, né?

37:53Álcool, menor quantidade, mas tem relação. Então, entra no hábito, né? Aí a gente já falou do sono, a gente já falou da alimentação, hipertensão arterial. Então o cara hipertenso, ele não sabe hoje, hum se acredita que 40%

Momento-chave: 40% dos hipertensos não sabem que são38:11das pessoas que são hipertensas ainda não sabem que são. Por quê? Porque é uma doença silenciosa.

38:17Uma hipertensão arterial. você, se você tá constantemente com o valor da tua pressão elevada, você não vai sentir nada, meu amigo. Você vai sentir quando já tiver todos os efeitos deletérios ali da pressão alta, tá? E o diabetes, né? O

38:33diabetes hoje é sabidamente um dos principais fatores de risco pra morte cardiovascular. Então, paciente diabético, ele tem de seis a sete vezes mais chances de morrer de algum de algum evento cardiovascular do que um paciente

38:48não diabético.

38:49» Mas isso mesmo sob tratamento ou ou sem tratamento, sem acompanhamento?

38:54» O paciente que tá com diabético, que tá com tratamento adequado, ele vive igual quem não é diabético.

38:59quem não é diabético. » Perfeito.

39:00» Sabe? Mas a gente sabe hoje em dia que essa não é a regra. A regra é o cara ou ele ser um diabético e fazer aquele tratamento mais ou menos » ou ele ser diabético e nem saber.

39:12» Sim. Sim. É o o a diabetes e tipo dois é que eh vem ao longo da vida ou é tipo um. Qual que é aquilo?

39:21» É o diabetes ele é dividido em dois. Tem o diabetes tipo um, que é aquela diabetes onde existe uma um déficit de produção de insulina que é geralmente » fator genético, né? Começa quando » fator genético, né? Começa quando criança.

39:31» Ex. fator genético é um diabetes eh diagnosticado muito mais cedo, que o paciente ele é totalmente dependente da insulina. E existe o diabetes, o diabetes tipo 2, que é muito mais comum, que tá relacionado aos » com é com os hábitos e a obesidade,

39:45porque daí o problema não é que o teu pâncreas não produz insulina, o problema é que o teu organismo está resistente à insulina que você produz. Por quê? pela obesidade. Então, os adipócitos, quanto mais adipó tecido celular subcutâneo,

40:00que é a gordura, você tem, mais tendência a resistência à insulina você vai ter.

40:05» E daí a gente entra no paradoxo, né? Se ele ficou doente por não ter bons hábitos, né? Qual é a chance de que ele do nada, depois de 20, 30 anos de tudo errado, resolva fazer? Sabe, Rodolfo, isso é umas um dos principais

40:21pilares que o médico cardiologista tem conseguir mudar os hábitos. A cabeça do paciente, ele tá com 50 anos e há 50 anos ele vem fazendo a mesma coisa, mesmo estilo de vida, eh mesmo a a mesma rotina. Aí você chega e fala pro

40:39indivíduo: "Olha, a partir de agora você vai ter que mudar". É muito difícil.

40:44» Sim. Se a única maneira do paciente se » Sim. Se a única maneira do paciente se conscientizar que precisa realmente mudar, é ele ter um susto. Então assim, muita das vezes se o médico só falar às vezes não

41:02adianta ele, o cara quando ele tem um susto, aí é o momento que ele fala, » sente o pezinho batendo do outro lado. O problema é que às vezes o susto é um só, né? Exatamente. [risadas] Ou é porque assim, o infarto, a maioria

41:14dos infartos não é morte súbita, tá? Eh, ou seja, a quantidade de infarto aquele, ah, o meu vizinho que foi dormir e morreu, essa é a minoria dos casos. Por quê? Porque pelo menos o cara foi rápido, digamos assim, a maioria dos

41:29infartos hoje e AVC, infarto, o paciente não vai morrer naquele momento, mas a partir daquele momento a vida dele vai mudar completamente. Por quê? Porque a depender da gravidade, da extensão do infarto, ele vai desenvolver

41:44uma insuficiência cardíaca. A qualidade de vida dele, meu amigo, vai despencar de de 100 para 10. Então ele não vai fazer nem 10% das coisas que ele conseguia fazer antes. Isso gera uma isso gera diversas eh consequências aí

42:00depressão, carente em depressão. Então eh a gente na hora de antes de fazer de de ter um infarto, a gente não pensa em todas essas consequências, né? Mas são consequências graves e não só » pro indivíduo. Às vezes é um pai de

42:14família que é responsável de colocar o pão na mesa.

42:17» Sim. E aí esse cara não pode mais trabalhar parar, né?

42:21» Se ele não pode mais trabalhar. E aí, então esse é um problema.

42:25» A gente teve eh recentemente essa febre das canetas, né? Eh, isso tem numa perspectiva um impacto no que você faz hoje, já que tem essa redução de peso, tem uma relação positiva? Como que você

42:41enxerga isso além das questões estéticas, né? Tipo, tem uma projeção, já é falado disso no no meio da já é falado disso no no meio da cardiologia.

Objeção: «canetas são vilãs»: problema é indicação, não o medicamento42:48» É, veja, as canetas, elas não são um vilão de nada. Na verdade, elas são uma solução, né? A gente hoje tem várias opções no mercado de tratamentos para emagrecer. O tratamento pra obesidade, ele vem de 40 a, 50 anos atrás. Então,

43:06são a geração das drogas. Antigamente, não sei se ouviu falar, tinha não sei se ouviu falar, tinha cibutramina, » então, muita gente usava e era autorizado pela, » mas ela não acelerava, » mas ela não acelerava, » então,

43:16» ela é uma das primeiras gerações de medicamentos que foram criados para perda de peso. Lá atrás o pessoal dava perda de peso. Lá atrás o pessoal dava anfetamina » para perda de peso, entendeu?

43:26» Eu eu lembro de alguém falar tipo no meio do fisioculturismo, né? Uso off label da cibutramina para fazer perda de gordura. Exatamente.

43:34» Tendo tremores e palpitações.

43:37» É. Não. Então essas foram das primeiras classes de drogas. Isso foi evoluindo, a ciência foi evoluindo e hoje nós temos várias opções de tratamento pra obesidade. Então todas essas canetas que tem no mercado, pique, o mãojaro, agora

43:54retroglutida que vai entrar no mercado são a solução. Qual que é o grande problema? Problema não é o medicamento, é quem indica e quem usa. Por quê? Veja, é veja. Ah, hoje tá essa febre de tratamento para emagrecer e a prescrição

44:13foi totalmente banalizada. Então, pacientes, a grande maioria não tem indicação. Eu faço tratamento para obesidade no meu consultório. Então você precisa ter critérios para você indicar um tratamento, porque existe um um ditado na medicina, antes de você fazer

44:28o bem, você não pode provocar o mal.

44:31o bem, você não pode provocar o mal. » Claro, » né? [risadas] Então, e então quando essa febre aconteceu, por quê? Porque hoje tem acesso a medicamentos que vem do Paraguai, são muito baratos, mas não são medicamentos autorizados e ninguém sabe

44:45a procedência, meu amigo. Então, assim, eu acho muito corajoso o indivíduo que vai ou pega lá de alguém que trouxe do Paraguai medicamento, injeta no seu corpo, né?

44:56Então, as canetas hoje existem várias opções, elas são a solução desde que medicamento original, avaliação médica e a indicação adequada. Então, eu tenho, por exemplo, eu tenho um paciente que é

Momento-chave: caso real: paciente de 158 kg para 119 kg45:12o seu Antônio. Eu atendi ele quando eu tava na Santa Casa por um infarto, né? O paciente chegou muito grave no hospital, ele já tinha doença pulmonar, ele tinha 158 kg.

45:24158 kg. » Nossa.

45:25Então, a gente conseguiu reabilitar ele naquele momento e depois disso ele começou a acompanhar comigo no começou a acompanhar comigo no consultório e a gente começou um tratamento, todos os medicamentos pós infarto, medicamento

45:37eh, né, para DPOC que ele tinha. E aí eu conversei com ele, falei: "Sen Antônio, o senhor é pré-diabético, o senhor é obeso, o senhor tem um risco cardiovascular muito aumentado. Que que o senhor acha da gente começar esse

45:49tratamento com um jaro?

45:52Doutor, eu tô aqui por você. O que você falar, a gente vai fazer. E realmente ele era o paciente clássico, uma indicação classe um para essa medicação.

46:01» Ah, não, de indicação, » é a indicação desse medicamento.

46:05» A gente começou, ele começou com 157 kg, hoje ele tá com 119.

46:10hoje ele tá com 119. » Poxa, » a qualidade de vida dele aumentou. Então assim, eh, tudo melhorou, a pressão arterial dele melhorou, a funcionalidade dele melhorou, eh, » resposta insulina, » não, resposta, tudo, tudo, tudo, tudo.

46:23Então, essa é uma prova de que realmente a o medicamentos, as canetas emagrecedoras, a semaglutida, a liraglutida, a tirepatida, elas são medicamentos muito bons, mas quando bem medicamentos muito bons, mas quando bem indicados.

46:38indicados. » [roncando] » E e nesse caso eh ele fez processo de melhoria de hábitos também, ele teve essa alteração assim, » sim, porque veja, eh, a conversa que eu tive com ele e que eu tenho com todos os

46:51meus pacientes que realmente tem indicação de iniciar um processo e protocolo de emagrecimento é veja, medicamento é um pilar, um dos pilares do tratamento, não é? Eu vou tomar o remédio e isso aqui vai resolver e

47:06pronto. Não funciona assim. Você precisa pronto. Não funciona assim. Você precisa fazer toda uma base. Então, medicamento, hábito e exercício físico. Então, esses três são os pilares do tratamento para perda de peso. Se você só faz um, o

47:20outro lado vai cair. Se você só faz do outro lado, o outro lado vai cair também. Então, eh, o paciente quando ele vai entrar nesse meu protocolo, ele já ele é ciente do que ele precisa ele é ciente do que ele precisa » compromissado,

47:33» compromissado, que ele precisa cumprir com esses três pilares mínimos, né?

47:39» E hoje a gente usa muito smartwatch. O » E hoje a gente usa muito smartwatch. O smartwatch para fins de detecção de questões cardíacas, ele funciona porque o meu o meu smartwatch ele anuncia lá, ó, seus batimentos estão baixos, seu

47:55batimento subiu, não sei o quê. Sem tem até a expressão lá sem fibrilações, » fibrilação atrial, » é sem não sei quê, tem um nível de confiabilidade de um smartwatch pro outro. Eh, o senhor, você indica o uso,

48:12como que é esse essa relação com esses gatitos de tecnologia? Agora tem um anel gatitos de tecnologia? Agora tem um anel também.

48:16» É, veja, Rodolf, esse foi um assunto inclusive debatido no Congresso de Cardiologia Mundial de Cardiologia no último, a importância e a utilidade dos smartwatchs.

48:28Veja, isso foi comprovadamente que eles são benéficos. Ah, eles são a a palavra final, eles conseguem dar diagnóstico.

48:36Não, mas eles são muito úteis no sentido que hoje o smartwatch, claro, dessas marcas, existem diversas marcas, né?

48:47» Mas as mais conhecidas, a Garmin, a as da Samsung, o Apple Watch, eles têm a capacidade hoje de identificar arritmias, né? Principalmente a mais comum de todas, que é a fibrilação atrial. Então, se por exemplo já tem o

49:02smart que é configurado, se o paciente ele tem o mal súbito e ele desmaia, automaticamente já liga pro samu e tudo isso. Então eles são uma ferramenta útil, sim, tanto para pra detecção desse tipo de arritmia,

49:16quanto para alerta de condições, por exemplo, ah, minha frequência tá muito alta e eu tô parado. Talvez seja o momento de eu ir procurar um um cardiologista, entende? Então realmente eles é são uma são uma ferramenta

49:31eles é são uma são uma ferramenta validada, mas assim eles não serem como diagnóstico. O paciente não pode não. Ah, doutor, eu tive uma fibrilação atrial, daí o médico vai ali no smartwatch. Ah, não, realmente é uma fibrilação atrial, acabou. Não, não

Objeção: «smartwatch diagnostica»: é triagem, não diagnóstico49:44funciona assim. Aquilo é uma triagem pro médico entender que ele tem que investigar aquele paciente.

49:50investigar aquele paciente. » Entendi.

49:51» Mas é uma ferramenta, é uma ferramenta muito útil. Por exemplo, eu vou paraa academia, eu coloco lá, já sei que zona de treino que eu tô, quanto tempo eu fico na zona quatro, quanto tempo eu fico na zona cinco. Então isso é assim

50:03uma ferramenta muito útil, » tá? Doutor, acho que a gente tá já se encaminhando próximo ao nosso final do do da conversa, né? Recentemente a gente teve o caso do Gabriel Gunley, né? Que era um menino de 22 anos, um influencer

50:19super bombado com 1.700.000 1000 seguidores e teve, né, eh, o através do do exame de necropsia dele, a identificação de um problema cardíaco histórico, assim.

50:33histórico, assim. » Uhum.

50:34» Mas a gente sabe que, né, eh, o ele fazia uso, abuso, na verdade, de ergogênicos, de, né, da hormônios anabolizantes, né, como que é isso hoje dentro dessa realidade? a gente conversou um pouquinho antes, né? E daí

50:48entra o ponto assim, a gente vive uma febre, uma corrida, né? Muitos jovens usando hormônios sem a devida, o devido acompanhamento, sem qualquer tipo de prescrição. Eh, esse caso ainda não tá esclarecido se foi um resultado da má

51:07utilização de insulina ou se de fato foi o fator cardíaco congênito que ele tinha, né?

51:14como que isso tem chegado para você, né?

51:17Você tem visto isso, tem acompanhado, tem alguma percepção dessa mudança de perfil e que recado você dá para quem tá nos assistindo?

51:23» Tá bom? [roncando] Especificamente, nesse caso, eu não tenho como te dizer assim com muita propriedade porque eu não acompanhei muito a a o resultado na necropsia e também nenhum dado médico confiável. Perfeito.

51:40» Então, assim, eh, mas no geral, eh, realmente existe evidências que o uso realmente existe evidências que o uso discriminado de esteroides anabolizantes, eles têm sim relação com o aumento de risco

51:55cardiovascular, arritmias, infarto, eh hipertensão arterial, aumento do colesterol. Então assim, existe relação e isso não significa que os esteroides anabolizantes são um vilão. É a mesma

52:11premissa do que nós conversamos das canetas emagrecedoras.

52:14canetas emagrecedoras. » Perfeito.

52:15» O problema não é o medicamento, o problema é a maneira como é usado, como é prescrito e quem prescreve, entende?

52:24Eh, para fins estéticos, eh nenhum ramo da medicina hoje indica o uso de esteroides anabolizantes. Eles têm a sua indicação, pacientes oncológicos, sarcopênicos, eh, em potência sexual, infertilidade.

52:40Então, existem diversos ramos ali e arreas na medicina que eles são muito bem indicados. na questão estética, eh, não, mas, eh, o médico, eh, nós cardiologistas não estamos ali para julgar o paciente, né? Perfeito.

52:56» Você não tá ali para dizer para ele como ele tem que levar a vida dele. Você tá assim para orientar sobre os riscos, né, do que ele tá fazendo. E se mesmo ele ciente dos riscos, ele, né, opta por continuar fazendo, assume o risco. Qual

53:12que é o papel do médico? virar as costas e falar: "Não, faz o que você quiser".

53:16Claro que não, jamais. O papel do médico é acompanhar esse paciente, acompanhar, fazer exames seriados, consultas seriadas para ir avaliando como é que o organismo dele tá se adaptando e se tá tendo alguma alteração em relação aos

53:30anos exames prévios. Então veja, o caso desse fisiculturista, eh, pese que eu não tenha, né, o conhecimento mais, eh, aprofundado do que realmente causou a morte dele, ele é mais um de vários que a gente conhece por aí, né?

53:46Então, assim, às vezes a testosterona do homem, ela gira ali entre 400 a 800 o valor fisiológico. Tem atletas que estão em 15.000, em 15.000, [risadas] você entende?

53:58» Sim. Então assim, eh, é uma alteração e no caso dele não foi só a quantidade, foi a velocidade que isso aconteceu.

54:06Então ele ganhou massa muscular, essa transformação corporal dele foi muito abrupta, muito rápida. E talvez o sistema cardiovascular dele não acompanhou essa mesma essa mesma velocidade, né? Então assim, a orientação que eu dou, se você não usa,

54:21não comece, mas se você usa e tá ciente dos riscos, tenha o teu médico, teu médico que tenha conhecimento da área, que saiba te ajudar.

54:31» É, e acho que é um ponto importante, né?

54:33Jamais minta pro seu médico, [risadas] né? Acho que » é mentir pro médico é mesma coisa que mentir pro teu advogado. [risadas] Não tem, não tem como, né, » doutor? a gente tá se encaminhando, né, já pro pro nosso final, que mensagem

54:49você gostaria de deixar, né, e inclusive convidando as pessoas a a consultar com você, fazer eh essa avaliação, enfim, né? Deixa uma mensagem pro nosso público, compartilha aí um pouco da sua visão e e esse fechamento da conversa e

55:05faça um convite para que as pessoas entrem em contato, visitem as suas redes, o site, enfim.

Momento-chave: recado final: medicina preventiva, sem CTA do convidado55:10» Tá bom? Bom, a mensagem que eu tenho para dar pro público, para o público geral é eh hoje a medicina é uma medicina preventiva, então eh ah, eu sou jovem, eu sou saudável, às vezes não. Então, eh,

55:28procure fazer atividade física, dormir bem, se alimentar bem.

55:34E a partir dos 35 ou até antes, se você tiver algum fator adicional de risco, procure seu médico, eh, faça os exames pertinentes. Se você quer praticar, começar a praticar qualquer tipo de atividade física, não deixe de consultar

55:48o médico antes, porque hoje tá rypado, todo mundo quer fazer e tá certo. Eu acho que a atividade física é um dos fatores que mais estão melhorando a qualidade de vida e diminuindo o risco cardiovascular, mas as coisas têm que

56:01ser feitas de uma maneira correta. Não adianta você querer começar a se atravessar em cima de pular etapas. A primeira etapa é consultar com o médico.

56:10Então a resposta e o recado que eu quero dar é hoje em dia, a medicina mais importante é a medicina preventiva.

56:16Então consulte, se cuide, se alimente bem, durma bem e faça atividade física.

56:23» [ __ ] excelente. Excelente. Gente, muito obrigado para quem chegou até aqui, né? Lembrando, esse é um episódio patrocinado pela stocks.dev. Entre no nosso site, entre nas nossas redes sociais e até o nosso próximo encontro.

56:35Muito obrigado.