EP 03 · 05/11/2025 · 57:18

Tradição Propósito e Reinvenção na Mesa e na Vida - Família Farinha | EP 03 | Stoix Podcast

Pedro e Lucas Farinha (Padaria Família Farinha) · assistir no YouTube

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No EP 03 do Stoix Podcast “Tradição, Propósito e Reinvenção na Mesa e na Vida”, Rodolfo Waterloo recebe Pedro e Lucas Farinha, irmãos da terceira geração da Padaria Família Farinha, um verdadeiro ícone da gastronomia curitibana que há mais de 70 anos transforma amor, técnica e propósito em alimentos que atravessam gerações. Neste episódio, a conversa percorre o passado, o presente e o futuro de uma família que dedicou sua vida à arte da panificação e da confeitaria, equilibrando tradição, identidade, disciplina operacional e os desafios da reinvenção em um mercado cada vez mais competitivo. Pedro e Lucas compartilham aprendizados sobre sucessão, cultura familiar, tomada de decisão, inovação responsável e o peso e o privilégio de carregar um legado. Como host, Rodolfo Waterloo conduz o diálogo conectando estratégia, negócios e visão de longo prazo, explorando como valores bem definidos podem sustentar crescimento, relevância e excelência ao longo das décadas. Um episódio inspirador sobre família, trabalho bem feito, propósito e evolução contínua — para quem acredita que grandes negócios começam com raízes fortes e visão clara de futuro. 🎙️ Stoix Podcast é um oferecimento da Stoix.Dev — estratégia e tecnologia aplicadas a negócios que querem durar.
Trecho falado no ponto de abandono médio Objeção levantada ou rebatida Momento-chave

00:00Boa noite, todo mundo. Bem-vindos ao Stoic Cast, terceiro episódio, hoje muito especial, mais uma vez com convidados que eu quero conversar e saber um pouco mais da vida, da história e obviamente das dos negócios da empresa. Hoje aqui com Pedro e Lucas

00:18Farinha, né, da padaria família Farinha.

Objeção: “Vocês viraram minimercado”: a gente é padaria00:21E a gente tava conversando um pouquinho antes. Me conta por a opção de manter o nome padaria nessa época de gurmetização, né, que tem o impório, tem casa de pães, panificadora, padaria, casa de pães, panificadora, padaria, raiz,

00:35raiz, » bolongerry.

00:36» É bolongerry, [risadas] » é isso aí. Ah, a gente sempre optou por por remeter ao clássico, né? para remeter a a tradição e e a gente foi crescendo principalmente e e aí muita gente fala: "Ah, agora vocês são

00:50minimercado". Não, não, a gente é padaria. O que a gente o core business, o que trouxe a gente até aqui, o que fez a gente crescer, foi o nosso carinho e cuidado em fazer o pão da melhor forma possível, né? Então, a até quando a

01:04gente começou em Curitiba na década de 90, ah, tava na moda você chamar padaria de confeitaria.

01:11» Sim. né? Porque eram os lugares mais chiques e tal. E aí meu pai sempre falava isso, não, a gente é padaria para remeter ao tradicional, né? A a a padaria de antigamente feita à mão artesanal, né?

01:24» E conta um pouquinho, né? Eh, quando você mandou a história, nem eu sabia que tinha tanto tempo que a família já tinha relação com padaria, né? São quase 60 anos desde os primeiros eh antepassados trabalhando. Mas me fala um pouquinho da

01:39história do pai de vocês, como que aconteceu, como que foi essa construção em Curitiba e hoje, né, é quase um ponto turístico da cidade.

01:48» É isso aí. É, a gente começou a meu a história da família começa em 1956 aqui no Brasil, » 70 anos agora, quase 70 quando os nossos avós vieram de eh pro interior de São Paulo e começaram a trabalhar com secos

02:02e molhados, os pais do meu pai, né? Ali eles começaram um negócio e começaram a a ali, enfim, era algo novo para eles e e algo com que eles tiveram contato inicialmente. E assim, pulando depois, o Pedro pode complementar que ele tem mais

02:17essa esse conteúdo, ele ele ele é o historiador da família, [risadas] mas basicamente depois dos secos e molhados, assim que a minha avó fica viúva, ela passa a pensar legal, o que que eu vou fazer agora? Ela passa um tempo com aquela com aquele dinheirinho

02:32que sobra da Ah, né? ela como viúva. E aí, eh, ela tinha irmãos também vindos de Portugal que trabalhavam com padaria.

02:41Eles começaram a trabalhar com padaria no interior de São Paulo. E ela fala: "Pera aí, eu acho que eu consigo trabalhar com isso". Porque ela havia trabalhado um tempo na padaria de um dos irmãos, quando ele se ausentou para ir

02:52para Portugal visitar a família. E aí ela fala: "Pera aí, eu acho que eu consigo. Acho que eu dou conta disso". E aí ela, com a ajuda dos irmãos, inclusive ela abriu uma padariazinha no interior de São Paulo, era satatuba,

03:03chamada Peter Pão, né?

03:05» Meu pai e meu tio, sempre muito » Meu pai e meu tio, sempre muito espirituosos.

03:07» Que legal.

03:08» E ali eles começaram ela no balcão ali o dia inteiro. Meu pai começou ali trabalhando primeiro acho que como entregador e depois como ajudante de padeiro, né?

03:16» As duas coisas eles revesavam, né? Meu pai e meu tio revesavam uma semana um era auxiliar do padeiro » e e o outro entregava pão. E aí » e e o outro entregava pão. E aí revesando » tinha essa cultura, né? não só no

03:26interior de São Paulo, mas acho que no Brasil, de entregar na porta do consumidor bem cedinho o pãozinho, o leite e tal. Então eles faziam esse revezamento. A partir dali eles começaram começaram a desenvolver e aprender o ramo, aprender o ofício de

03:40fato. E aí a gente tá falando da década de 70 já, 75. Minha minha avó conta, contava pra gente, » filhinho, quando eu aluguei era um botequinho falido. A única coisa que deu para aproveitar foram as duas tabuinhas na parede que eles faziam de prateleira.

03:54O resto teve que começar do zero porque era tudo caidaço » aqui já não ou em » aqui já não ou em turba » em 10 anos eles tornaram uma padaria super legal das melhores da cidade lá e com oferta de de gente para comprar a

04:07padaria porque tinha um movimento muito bom vendiam muito pr para lanchonetes e pr para hamburguerias muito pão de hambúrguer de cachorro quente.

04:17hambúrguer de cachorro quente. » E só que eles faziam tudo, né? Tinha um padeiro, minha avó limpava, atendia, meu pai era caixa, auxiliar de padeiro, meu pai era caixa, auxiliar de padeiro, meu tio.

04:27» E meu pai até começa a fazer direito, mas não consegue fazer a faculdade justamente porque minha avó não conseguia sozinha. Aí minha tia foi ajudar também, que era mais novinha, depois passou a ajudar.

04:37» E aí eles muito cansados vendem a padaria. E aí meu pai vem para Curitiba para fugir de padaria que não aguentava mais. [risadas] Ele veio para cá em 86 » para não trabalhar mais com pão, entendeu? Vamos trabalhar. Falei: "Não,

04:49isso aí não é vida, chega » aí". Ele e tinham já daí irmãos morando.

04:54Era era o tio Ramiro. Tinha mais algum irmão morando aqui? Não, era a família do tio Ramiro. Minha avó tinha um irmão que já tinha vindo para cá. Eles gostaram muito da cidade, » famí começaram a trabalhar com hotel,

05:04hotelaria, no ramo de hotelaria. E aí surge essa oportunidade para que meu pai pudesse eh trabalhar com isso. Então a minha avó, a mãe do meu pai ajuda ele a comprar um hotelzinho em sociedade com outro senhor eh português também, muito

05:18bacana, que ajudou bastante ali no processo de de adaptação do meu pai aqui em Curitiba e tal. E aí no final das contas acaba não sendo tão bom quanto contas acaba não sendo tão bom quanto poderia.

05:29poderia. » Sim.

05:30» E aí aquela história, e agora o que que eu faço? Que que eu sei fazer? Eu sei fazer, sei trabalhar com com pão, é, » sei vender pão, sei aquele braçalzão, né, que que as gerações passadas eram muito boas no sentido de que beleza, que

05:44que eu preciso fazer, não o que que eu quero num primeiro momento é o que que eu preciso, é isso que eu preciso, né, devercação, né, porque também tinha essa capacidade que é uma arte. É, » mas não havia glamour, né?

Objeção: Consultoria: “vocês são muito operacionais”05:57» Sim, sim. E claro que hoje as pessoas vem a padaria como ela tá hoje, tem muito trabalho envolvido, mas não é só isso. Eh, existe sim essa, é é o é a barriga no balcão. E a gente aprendeu muito, tanto que a gente às vezes

06:10conversa com assessoria, pessoas, a gente tá tendo uma consultoria bastante importante na área administrativa e gerencial hoje, parte de gestão e tal. E ele fala: "O problema é que vocês são muito operacional, muito operacional. A

Objeção: “Será que não é esse o segredo?”: escala vs presença (fica em aberto)06:21gente tenta sair para formar equipe, para trabalhar o gerenciamento holístico, a gente não consegue mais, mas será que não é esse o segredo do sucesso? Não é eu ir lá e saber que eu vou encontrar um de vocês com sorriso,

06:35com sabe, cara, a padaria tá enorme, né?

Ponto de abandono médio · 6:48 · retenção 11,4%

06:39Cresceu, né? Eh, mas ainda é um ambiente caseiro, né? Qualquer dia que eu for, vai est um de vocês lá, vai est alguém da família, tem essa relação pessoal.

06:50né? Eu acho que você você tá certo para começar realmente tem que para dar a cara a a a atitude, a a o o mostrar o DNA, né? Eh, com certeza tem que você tem que também fazer e mostrar. Eu sempre falo: "Ah, o pessoal, nossa, o

07:06atendimento de vocês é muito bom.

O abandono cai enquanto o host valida pela terceira vez o que o convidado já disse; a resposta memorável (treinar pelo exemplo) chega 20-40s depois.

Objeção: “Atendimento bom exige treinamento formal”: treinar pelo exemplo07:09Eh, qual que vocês devem investir muito em treinamento?" Basicamente não. O nosso negócio é treinar pelo exemplo.

Objeção: “Premium dá trabalho demais”: dá, e sai um pão melhor07:16Como é que eu faço? Eu atendo, sorrindo, eu faço de tudo pelo cliente. Então, ah, eu a gente, pô, para fazer um pão de primeiríssimo, a gente vai lá e o que que tem que fazer? Ah, dá mais trabalho, vamos fazer, vai dar mais trabalho, mais

07:27tempo de fermentação, menos fermento, mais tempo, hidrata mais, dá mais trabalho em manipular, mas vai sair um pão melhor no final. Então, a gente sempre teve essa filosofia, vamos fazer o bem feito e tal. E aí o treinamento é

07:38pelo exemplo, não tem como a pessoa falar: "Não, mas isso é que você tá pedindo, não é possível". Claro que é possível. Olha, fazendo aqui, né? E e aí a equipe vai comprando a ideia e e vai adquirindo esse mesmo DNA, né, da da da

07:50gestão da da dos proprietários, né?

07:52» E conta um pouquinho assim, nesse momento que o pai de vocês começou aqui em Curitiba, né, um negócio do zero nunca é fácil, né? Eh, ainda mais um negócio que, que nem vocês falam, demanda horas de balcão, trabalho

08:05braçal, muito empenho. Que lembranças que vocês t, né, da infância de vocês nesse processo de construir a padaria, de fazer o negócio tá certo, de pr muita energia, muito trabalho, muito amor dentro do que tá sendo feito?

08:19É, eu tinha até parado, né, no hotel, né? E aí o hotel eh acabou não, enfim, meu pai abrindo mão da parte dele e aí o hotel é vendido. E e assim, tiveram outros pormenores, não se tratou somente disso, mas o fato é que então em 92 ele

08:34abre a primeira padaria em Curitiba chamada Dom Farinha, no Alto da 15, perto do perto do emocentro » ali. É o é a emepar.

08:43» Emepar, desculpa.

08:44» É 15 uma esquina antes da bodinha do Amaral ali.

08:47» É isso aí. E ali quando » É isso aí. E ali quando [risadas] aí ó, » lá é tudo delicioso, » mas o mais legal encontrar vocês lá. Ah, com certeza. [risadas] » Bom demais. Você vê até eu que não tenho

09:01carisma, as pessoas gostam de ver porque não tem como, né? Se o dono tá ali, das duas uma, o cara tá dando cara tapa.

09:08Então, ou o negócio é muito bom e ele acredita, ou ele não é tão bom assim, mas ele quer fazer dar certo, né? Então, de qualquer forma, [risadas] mas no nosso caso, claro, eh, eu acho que é a equipe, é a complementariedade

09:20que eu falo, tanto eh, primeiramente lá em 92, meu pai e minha mãe sempre trabalharam muito bem juntos, um apoiando o outro e aí tem obviamente as questões familiares. Então, ou meu pai tava e normalmente ele quem tava no

09:32balcão ali atendendo no caixa e minha mãe cuidando da gente tanto quanto mãe cuidando da gente tanto quanto podia.

09:36» E o bom gosto deles, né, fez muita diferença porque a exigência, né, não vamos fazer o melhor possível. Minha mãe cuidando da confeitaria e meu pai da qualidade dos pães. Eles não dentro da da da produção, mas eles orientando os

09:49confeiteiros e padeiros, né?

09:50» É. E isso tá no sangue ainda hoje, né?

09:52Eu lembro que a gente foi, acho que foi uma Páscoa que a gente passou juntos, eu acho, não lembro, que daí a Mariana recebeu umas encomendas, na hora ela ligou para lá falando: "Ó, isso aqui tá bom, mas tinha que tá assim, assim,

10:04assim, assim".

10:05reforçando esse cuidado permanente com a qualidade, com vem o a entrega final, o produto final de vocês.

10:12produto final de vocês. » Exatamente.

10:13» Isso mesmo. É bom, você tinha falado da infância e aí eu desculpa, acaba me atropelando aqui.

10:18» Nada, nada, vocês que decidem.

10:20» Mas essa questão da do que meu irmão falou agora, da qualidade é fato. É algo também tá no DNA, não é uma opção, ah, poxa, esse aqui é mais barato ou esse aqui é quase tão bom quanto, isso não é suficiente. Tem que ser o melhor. O que

10:31que tem de melhor no mercado?

10:33» OK. E é viável, é possível, então vamos ter, poxa, não é viável, então a gente não vai ter esse produto por enquanto, porque a gente não vai poder entregar o melhor possível. Então isso tem a ver com tanto mão de obra como a a

10:44classificação e a e a separação das melhores dos melhores insumos pra gente trabalhar. E isso reflete também no ambiente, né?

10:52ambiente, né? » Sim.

10:52» Então esse bom gosto, eu falo que minha mãe, ela tem muito bom gosto, tanto a questão do paladar dela, ela consegue identificar muito bem o que que é bom, o que que não é. E também o bom gosto visual, né? O meu pai ele gosta muito de

11:06arquitetura, por exemplo. Então ele fala que se ele pudesse ele teria estudado arquitetura. Então ali você vê que é o DNA dele, é a cara dele, aquela loja, tudo que acontece ali, parte estética, tudo que acontece ali, parte estética, né?

11:16» E então tem tudo isso.

11:19» E aí voltando só pra questão da infância que você tinha perguntado, a gente tem muito boas lembranças, né? De fato, o meu pai, ele passava muito tempo trabalhando, isso é fato. Ele tinha que fazer isso. E num primeiro momento era

11:31coisa de acordar, por exemplo, 4 horas da manhã para ir dormir por volta de 10 horas da noite. Então era só ali era dormir e trabalhar, né, até que as coisas se estabelecessem minimamente.

11:42Chegou um momento em que houve ali um revzamento ou uma funcionária ficava no lugar para que ele pudesse sair para almoçar junto e a gente almoçava em família eventualmente, né? Mas a gente sempre tava lá no entorno, né? ou no

11:55depósito de trás, eu lembro que ele adaptava a TV, tinha uma época que a gente alugava videogame.

12:00» Ah, é, » tinha uma locadora [risadas] de videogame lá perto. E lembra onde a gente jogava, né?

12:05gente jogava, né? » Não » era no banheiro.

12:06» Ah, é verdade.

12:07» Tinha, era [risadas] uma casa antiga, a primeira padaria, e tinha um banheirão.

12:11Não era banheiro de cliente, era um banheirão lá da da casa, » um espaço que antes disso era era um banheiro, né?

12:16» Era isso.

12:17» Eu lembro, eu lembro de eu brincando de comandos em ação no estoque de farinha e tal. Isso eu lembro bastante.

12:21» Eu eu lembro de de eu brincando com álbum de figurinha do Campeonato álbum de figurinha do Campeonato Brasileiro » lá no depósito, aquele que tinha lá atrás também, ele adaptava um colchãozão lá para as vezes dar uma descansada e

12:30tal. Então era simples, longe de ser sofrido aquela ai poxa, não era, era intenso, era pesado, mas era muito bom.

12:38» E a gente tem ótimas lembranças sobre isso tudo, né?

12:42isso tudo, né? » Então, » ó lá, o Ismael tá sempre lá fazendo reunião. Grande Ismael, gente boa reunião. Grande Ismael, gente boa demais.

12:47» Legal. Que legal.

12:48» É isso aí.

12:49E me conta um pouquinho assim, eh, você falou muito do cuidado com os ingredientes, com a matéria-prima, né? E eu sei de bastidores que vocês fazem viagens para buscar receitas e para buscar na fonte e aquilo que vai acabar

13:04na mesa dos curitibanos ou no dia a dia da padaria. Que o que que viagem vocês destacam ou o que que você lembra assim de você, cara, isso aqui foi realmente algo que a gente foi lá, buscou, entendeu? a fonte, como que era a

13:18receita, o que que poderia ser feito e hoje é um sucesso, o pessoal gosta » ou fez muito sucesso, enfim, o que que » Olha, a a gente pode falar da baguette, nossa baguete Paris, a gente teve na França, tem tinha há 10 anos atrás,

13:35tinham duas grandes feiras de planificação no mundo. Uma que acontece a cada 3 anos em Munique, na na Alemanha, e a cada dois em Paris. E aí a gente conseguiu fazer dar certo num ano de ir para essa de Paris. Eu e meu pai

13:46fomos e nós conhecemos a baguete tão tão famosa, baguete parisiense. E realmente é o negócio era espetacular. A gente saía de lá, como meu pai fala, a gente [risadas] saia de tremendo, eh, de nós temos que aprender a fazer isso aqui. E

14:01aí nós fomos atrás de aprender. Ainda tivemos o contato com um padeiro francês que veio, refinou nossa técnica, » veio aqui, veio, » veio, ele tava de passagem, aí a gente pescou ele lá, ele já veio, a gente já

14:12tinha alguma noção de como fazer a baguete ali, já tava chegando, mas ele ainda veio e refinou e e e deu um toque final, ficou joia. E no final a gente ainda aperfeiçoou o que ele ensinou também. E eu fui, fui aprender, fui

14:25fazer fui fazer curso de panificação também. Então fui aprender, muita bibliografia ali, muita coisa. Então, e 2019 eu tive na Califórnia, fui estudar lá na São Francisco Baking Institute lá com com Michel Suá, que é um padeiro

14:40francês que revolucionou a planificação da Califórnia. E aí lá aprendi mais técnica, voltei, refinei várias receitas nossas. Ah, » é muita coisa boa, muita coisa boa ver de lá, né? Nossa, pão italiano, por exemplo, refinei a técnica que o pão

14:54ralar, aprendi lá com eles, várias várias coisas assim. E e aí é uma questão de técnica, você vai criando um o um no repertório que você aí consegue ter ciência para criar, né, » repertório e até para inventar as as

15:07próprias receitas, né, a partir dessa desse conhecimento todo.

15:10desse conhecimento todo. » É.

15:10» E me conta, já que você falou que você foi estudar panificação, você não é foi estudar panificação, você não é originalmente padeiro, né? Você fez uma transição, vocês dois, na verdade, né? vieram de outras eh carreiras, possibilidades e no

15:26caminhar decidiram voltar e assumir o negócio da família, não sozinhos, mas em conjunto com com cunhado de vocês, a irmã de vocês.

15:35» Hoje Hoje quem tá à frente do negócio eu, o Lucas e o Jonathan, que é o marido da Mariana, minha irmã. Hoje nós três estamos à frente da da gestão no dia a dia lá, né? Meu pai ainda tá à frente da estratégia. Meu pai e minha mãe ainda

15:46fazem parte. Tem tem a gente brinca que cada um tem voto, mas meu pai tem peso 18. O voto dele [risadas] » todo mundo tem voto, mas quem decide é » todo mundo tem voto, mas quem decide é esse.

15:55» Ele ele ele deixa a gente opinar.

15:57» Isso. Isso.

15:57» Mas essa essa essa esse choque de geração sempre foi muito saudável, porque ele também sempre ouviu muito a porque ele também sempre ouviu muito a gente.

16:03» A gente ouve histórias de empresas familiares em que o o fundador só larga o osso quando quando realmente ele não aguenta mais, não consegue mais, né? E meu pai não, meu pai sempre ouviu muito a gente. É, » é lógico que não dá para desprezar a

16:15experiência, né? Então ele sempre bem conservador, muito pé no chão, um passo atrás do outro. Eu já, por mim, já tava na sexta loja [risadas] e mas sempre foi muito saudável isso.

Objeção: “Empresa familiar acaba em briga”: se gerar conflito, vende16:24» E já que a gente entrou nesse assunto de » E já que a gente entrou nesse assunto de sucessão, » qual que é o sucesso da sucessão de vocês ou o que que vocês atribuem, né, esse ambiente harmonioso de passagem de

16:34bastão, de construção conjunta, né, que deveria ser o óbvio quando a gente fala de empresa familiar. Uhum.

16:40» Mas que na prática a gente sabe que não » Mas que na prática a gente sabe que não é.

16:44é. » É.

16:44» E por que que a família Farinha faz diferente na percepção de vocês? Esse processo sucessório ser mais harmonioso, mais amoroso?

16:50» Cara, uma vez, uma vez eu ouvi um palestrante falando, ó, não tem família unida que uma boa herança não separe.

16:56» Isso [risadas] » é isso. A gente não tem herança. Não é isso aí isso aí [risadas] » não, cara. Muito pelo contrário. Meus pais sempre muito generosos, cara.

17:05sempre quiseram dividir tudo que eles têm ali com os filhos, não só com os filhos, né, com a grande família que a gente fala, né, irmãos e sobrinhos, etc.

17:15Mas a gente, meu pai sempre falou e a gente tem vivenciado isso, a gente atribui isso totalmente, cara, a a Deus, né, e não de maneira pedante, de maneira profunda, intencional. A gente quer que Deus foi quem estabeleceu as bases pro

17:30negócio desde o princípio, foi quem sustentou minha avó, quem sustenta meu pai, né, e quem tem nos sustentado, tanto na nossa vida e empresarial quanto na nossa vida pessoal. Então, a gente acredita totalmente isso. Claro, ele nos

17:42capacita para isso, né? Ele nos capacita para empreender, para para atuar, para atender, para fazer mesmo aquilo que a gente não é tão bom de uma maneira melhor, né?

17:53» Mas a gente sempre priorizou a família também, né? Coisa que a gente sempre fala, ó, se começar a dar problema, se o negócio começar a gerar conflito de, ah, esse aqui não fala com pera aí, vende o esse aqui não fala com pera aí, vende o negócio,

18:03negócio, » isso, » cada um vai fazer outra coisa. Porque o mais importante não é a padaria, o mais importante é a família. Então, acho que essa clareza facilitou sempre muito, né?

18:10Dúvida, sem dúvida.

18:11» A gente entendendo que existe empresa e família e a gente não pode permitir que a família seja o foco da empresa, porém a família sempre está acima da empresa no que diz respeito a relações, né?

18:22» É, sim. É isso.

18:23» E que desafios que vocês citam ou enfrentaram ou enfrentam ainda que dentro dessa relação com propósito tão claro que é manter a família, eh ser uma empresa orientada por Deus? Eh, quais desafios vocês vêm enfrentando nesse

18:38processo de transição e como que vem resolvendo isso? É, o Pedro já falou que por ele já teria seis lojas abertas e Curitiba toda seria [risadas] da família Faria. Ó, uma uma coisa que que eu ia falar agora que hora

18:53que que eu ia falar agora que hora passou.

18:55E eu acho que assim, ah, os principais desafios numa empresa familiar é a própria família. Uhum.

19:02» Né? E, e eu acho que isso é natural, porque a o próprio convívio familiar fora do âmbito empresarial já é difícil, né? E a gente vê isso na Bíblia. As primeiras famílias já eram primeiras famílias já eram disfuncionais.

19:13» E isso foi estabelecido por Deus. Não a disfuncionalidade, mas a desde a queda do homem. Exato. Perfeito. Possibilidade de escolher e fazer besteira e as coisas acontecerem apesar disso, né?

19:23» E as coisas acontecerem apesar disso.

19:24Então, as coisas acontecem lá pela graça dele, apesar de nós.

19:27» É. Sim.

19:28» Mas eu acho que os maiores desafios são justamente as diferenças de mentalidade entre nós, » né? Mas a compreensão de que o negócio precisa prosperar independente de nós, faz com que a coisa prospere de f. Eu

19:40lembrei o que eu ia falar. Ele perguntou o maior desafio. O maior desafio, acho que no começo, quando a gente começou a vir para trabalhar, eh, foi que meu pai queria que a gente aprendesse de tudo para poder todo mundo aprendesse a

19:52empreender. Na época eu, Lucas e a Mariana, e, e ele queria então que todo mundo cuidasse da liderança da das equipes lá. Hoje hoje somos 150 funcionários. Nossa, é muito grande.

20:02» É, então, eh, tivesse na liderança, tivesse no atendimento, tivesse todo mundo no marketing, todo mundo no financeiro, todo mundo no RH, eh, e » como se fosse um programa de train que você transita nos diferentes setores

20:16» para ter capacidade de pelo menos saber se tá sendo bem feito ou não tá sendo se tá sendo bem feito ou não tá sendo bem.

20:19» Só que é complicado porque cada um faz uma coisa melhor, então naturalmente cada um vai vai achando o seu espaço, né? Então, acho que um grande um grande desafio que a gente teve foi isso, foi desafio que a gente teve foi isso, foi conseguir

20:28» e fazer ao mesmo tempo, né? Porque uma coisa é a gente passar por todos os setores, mas por exemplo, hoje você tá aqui, eu tô ali e aí depois a gente troca. Isso acho que funcionaria melhor, né? No nosso caso, a gente sempre

20:38estávamos, nós estávamos todos em todos os lugares. Então virava aquela coisa de não cachorro sem dono, porque todos nós queríamos fazer acontecer, mas também não tinha quem que é o responsável nosso. Alguns conflitos, né? Conflitos

20:49geravam conflitos, dúvida natural.

20:51» E hoje isso tá resolvido, tá pacificado » de maneira alguma. [risadas] De maneira alguma.

20:56» Eu, eu mais otimista e ele mais pessimista. Eu falo: "Não, melhorou bastante". É [risadas] não. E tanto que a gente tá junto, né?

21:02» É. E a gente vê muit » e cada dia aprendendo a trabalhar melhor. Você tem que concordar, né? Sem dúvida. [risadas] » Encontraram as funções, encontraram as » Encontraram as funções, encontraram as habilidades.

21:11» Eu aprendi muito, né? Com certeza. Ao longo desse processo.

21:14» E da transição. Me fale como que você falou. Primeiro vou explicar uma coisa também. A, a gente facilitou muito o nosso trabalho a gente podendo jogar muita coisa nas costas do Jonathan, que é o cunhado, né? [risadas] Eu, eu brinco

21:23com o Jonathan. Jonathan, eu tenho farinha no nome e você não. Você tem que conquistar teu espaço. Então vai lá.

21:28Então a [risadas] gente foi jogando nas costas dele, né? Isso.

21:30» Inclusive ele tá trabalhando lá agora, né? E a gente tá aqui conversando.

21:34» Exatamente. Exatamente. [risadas] » Alguém precisa fazer o trabalho sujo.

21:37» Mas eu eu sou farmacêutico por formação.

21:39Na época que eu escolhi a minha profissão, eu via meu pai saindo de casa cedinho, voltando à noite, ralando para caramba. Não era aquele ganha aquele aquele valor de rendimento gigantesco que todo mundo sonhava. Então eu acabei

21:53indo para onde eu eu gostava de estudar.

21:55Eu gostava de estudar biologia, gostava de química orgânica » e não sabia o que eu queria fazer. Só sabia que eu não queria ser dono de padaria. [risadas] E aí eu fui fui aí descobri na farmácia, até por eu não saber o que eu queria, a farmácia tinha

22:08muito campo diferente para escolher, né?

22:09Podia ir pra farmácia medicamento, pra indústria de cosmético, de alimento mesmo, de medicamento, para para toxicologia, perícia criminal, para polícia científica, para pr farmácia hospitalar, análises clínicas, tem muita

22:22coisa diferente para escolher no fim da faculdade, por exemplo, pô, então vou fazer isso aqui que eu escolho depois, né? E no final, mesmo na faculdade já fui direcionando pra indústria e para e para alimentos no final, que foi algo

22:32que me ajuda muito hoje para desenvolver que me ajuda muito hoje para desenvolver receita, » para fazer análise sensorial, entendeu?

22:36Lógica das coisas, né?

22:37» Foi, mas já começou a voltar. [risadas] E aí depois de formado, passei um um ano trabalhando como farmacêutico, algum tempo em laboratório de análise de eh controle de qualidade e mas foi e aí a gastronomia ela é ela a gastronomia é

22:53apaixonante. Então tando lá sempre na padaria vai e vem vai e vem. Aí tinha recebido uma proposta de para como gerente de farmácia.

23:03gerente de farmácia. Eh, » daí viu que ia ter que acordar cedo e dormir tarde igual. E pelas minhas competências, eu ia acabar indo pra área de gestão mesmo.

23:10» Aí meu pai me chamou, falou: "Ó, vem trabalhar comigo e tal". Aí então, então tá bom. Aí eu fiz uma pós gestão e e fiquei por lá mesmo.

23:16» Que legal. Que legal.

23:17» Isso foi 2007.

23:18» 2007. 2007. Isso aí » eu entrei em 2009, primeiro de janeiro de 2009.

23:24» Ó, já » promessa de ano novo, assim, » tipo isso. Agora vou ganhar dinheiro.

23:29Esse ano eu vou trabalhar, ajudar a família. [risadas] resolução de ano novo. Eu eu fiz eu sou da administração, então estudei administração e aí ao longo do processo, como todo bom administrador, passa por todas as áreas,

23:40administrador, passa por todas as áreas, né?

23:41» Então eu estagiei durante o período de faculdade, eu trabalhei no marketing do HSBC, eu trabalhei no comercial na Câmara Americana de Comércio, eu trabalhei em escritório de contabilidade, escritório pequeno, mas

23:52que eu aprendi muita coisa, foi bem legal. E eu lembro que esse senhor com o qual eu trabalhava inclusive no escritório, ele tinha também lojas de perfume. E aí ele também vendo competências de gestão e falou: "Não, vem trabalhar comigo na parte de

24:04atendimento, na parte de ajudando ali a organizar a loja." Também trabalhei um pouquinho nisso.

24:10Que mais que eu fiz, cara?

24:12Eu trabalhei como vendedor de roupas Eu trabalhei como vendedor de roupas [risadas] em loja de de varejo, né? Então eu também fiz um pouquinho de cada coisa até que chegou esse momento e que na minha cabeça já era uma transição meio

24:23minha cabeça já era uma transição meio natural.

24:24natural. » Sim.

24:24» Ela funcionou de maneira meio natural. E em 2009, como eu disse, primeiro de janeiro de 2009, eu comecei a trabalhar oficialmente na família Farinha. No primeiro momento, a gente não tinha uma área definida, né? Então, beleza, que

24:37que eu faço? Ah, vou aprendendo ali a trabalhar com os caixas, controle de caixa, atendimento, sempre » rotinas de financeiro.

24:44» Rotinas de financeiro.

24:45» É o Lucas mais organizado, né? Eu falo pra caramba e e sou desorganizado. Ele era, ele fala um pouco menos, mas era o cara mais organizado. Então, acabou naturalmente indo pro financeiro, né? É isso aí.

24:55» É. E essas experiências externas, elas são muito ricas, né?

24:58» Eu acho que a gente adquire conhecimentos e vivências que talvez dentro de casa a gente não teria na mesma intensidade, né? E daí você vai, » colhe o que tem de melhora, prende, evolui e daí volta para aplicar no seu

25:11próprio negócio, para eh desenvolver e aprimorar aquilo que você tem. Uhum. em casa como projeto, assim, » é isso mesmo. É isso mesmo. E foi isso.

25:19» E dentro desses projetos, [risadas] eh, vocês inauguraram recentemente a nova loja, né, que tá enorme, tá linda, né? Você falou que tem o dedo de arquitetura do seu pai, o bom gosto da sua mãe. Eh, como que foi esse processo

25:33de expansão, né, porque e cresceu muito.

25:37E quais são os próximos passos para essa loja e pra família Farinha na visão de vocês? A gente, na verdade, demorou para expandir. Era, a gente tava muito apertadinho ali já, né? Eh, a produção tava apertada, a loja tava apertada, a

25:51cafeteria tava apertada, aí ainda veio a panvel ali do lado, veio uma farmácia ali do lado que a gente conseguiu pegar sobre loja, aumentar a produção ali temporariamente, ficou bom. E mas a gente precisava expandir, tinha um

26:02movimento muito grande, faltava estacionamento e aí até que conseguiam comprar esse esse terreno do lado e e como meu pai já não tá preso na operação do dia a dia, então ele poôde se dedicar a tocar essa essa obra junto com o

26:16construtor e e a gente tocando a padaria, né? E ficou muito legal mesmo.

26:21Conseguimos dar vazão a todos os sonhos que a gente tinha acumulados aí por anos. Então, fizemos uma cafeteria bem maior, uma área maior de uma produção bem organizada, tá super legal lá.

26:30Aliás, quem quiser conhecer lá a produção da família Farinha, fala com a gente que a gente adora mostrar lá porque é » motivo de orgulho.

26:38» É motivo de orgulho. É o que a gente sonhou, planejou, projetou, a gente apagava, eu, meu pai » e e o Lucas e o Jonath tá dando pitaco também, mas eu como venho da farmácia industrial, né, então organizando fluxo,

26:48» criou uma linha de produção.

26:49» Exatamente. Organizando fluxo de produção e tal. eu desenhando lá, pagava, desenhava, apagava.

26:54» Essa parte de estrutura eu participei muito pouco, porque nesse período eu passei um tempo fora, né?

26:58passei um tempo fora, né? » Sim.

26:58» Ah, é.

26:58» E aí, você tava no Canadá?

27:00» Eu tava no Canadá, eh, e, e como eu passei esse tempo fora, eu participou participei pouco do projeto. Então, o projeto basicamente é isso, é meu irmão, meu pai, o Jonathan ali participou bastante também, né, junto com o com o

27:11construtor. Isso.

27:12» Então, foi o dedo deles ali e muita coisa funcionou muito bem, né? E a maioria das coisas foi muito bem planejada, muito bem estruturada, baseada na experiência que já existia da loja antiga, né, e da vivência como um

27:24todo, né?

27:25» É. E a experiência tá fantástica, né? A cafeteria tá muito legal, tem almoço, tem comida maravilhosa, né?

27:32» Não só as que você leva para casa, mas comer lá também é uma experiência muito comer lá também é uma experiência muito legal, » né? Não, muito bom, muito bom.

27:38» É. E e ali a produção então ficou ficou o que a gente tinha. Então, a gente gosta de levar, às vezes os clientes falam: "Ah, posso vem, vem um dia de manhã que é a hora mais legal". Você vê tudo acontecendo, todo mundo produzindo

27:47muito e é lindo de ver, né? Muito legal.

27:49» Já tiveram escolas que, isso na loja antiga, né? Tiveram escolas que visitaram, empresas, o pessoal pede: "Pô, dá pra gente fazer um » um tour, » um tour, » escola de gastronomia." » E além dos desafios da própria obra,

28:02quais foram os desafios da expansão interna? Assim, provavelmente vocês contrataram pessoas, ampliaram times.

28:08» Eh, como que foi esse processo? como que tá sendo isso? É desafiador, não é desafiador? Que lições que vocês tiraram em relação a isso? Até pensando, quem sabe aí na na na projeção de ter outras lojas, né, e replicar esse modelo

28:21vitorioso, o que que vocês vivenciaram e que podem compartilhar um pouquinho com quem tá nos assistindo?

28:28Eh, eh, assim, a gente tá num porte que a gente não é um supermercado, mas a gente não é uma padaria comum, então a gente tem que criar as nossas as nossas gente tem que criar as nossas as nossas resoluções, né, da porque a gente pega, faz

28:41benchmark, vê como é que tal, tal empresa resolve esse tipo de de necessidade, mas ali tá muito um tamanho muito próprio assim, né? Então, a gente tem que tem que criar, né, muitas vezes a a a solução. Eh, mas basicamente é

28:54isso, é pegando experiência, pegamos eh algumas consultorias ali, uma em RH, pegamos uma consultoria eh em governança corporativa e então e agora em em planejamento estratégico. Então a gente

29:11a gente vem vem pegando o que dá, se se ampliando o time, pegamos aumentamos o time de gestão de pessoas agora que tinha uma pessoa lá dentro, a Eliete, que tá com a gente há muito tempo, então ela fazia um pouco de tudo e da gestão

29:25de pessoas, das rotinas e a gente viu que que precisava agora de mais uma pessoa. Então chegou a Gabriela para cuidar do RH em si mesmo. Então vamos pegando conhecimento tanto de fora quanto de dentro e contratando gente,

29:38fazendo uma mescla de joias internas, né? Gente que tá crescendo lá dentro com gente que vem de fora agora para crescer gente que vem de fora agora para crescer junto.

29:46» É, a gente tem pessoas muito qualificadas ali dentro, né, que já vinham da loja antiga, como Pedro disse.

29:51vinham da loja antiga, como Pedro disse. Uhum.

29:51» E que eh tem sido fundamentais, inclusive tem se mostrado ainda mais capazes do que já se mostravam, né?

29:58tanto gerentes eh de setores específicos, eh gerentes de produção, vários setores, pessoas se mostrando assim de uma maneira que a gente fala: "Caramba, olha as capacidades dessa pessoa". A gente sabia que era boa, mas não sabíamos que eram que eram tão boas

30:12assim, né?

30:12» E no momento que você dá oportunidade para quem já é de casa » e já conhece o valor, né? Eu acho que esse é um ponto assim, né? a o propósito de vocês é muito claro e quem tá em contato com vocês não tem dúvidas disso.

30:24» E daí eh orientar a profissão, o profissional é mais fácil do que orientar o propósito. Então, se o propósito é claro, você » cria as competências necessárias, você desenvolve a pessoa e conduz ela para entregar o que precisa ser entregado.

30:38» Exatamente. e as pessoas externas que têm vindo também com experiências externas, né, bastante ricas também, inclusive locais, inclusive locais, » é, » que tem, » e a questão é caráter, né? A pessoa

30:49tendo soft skills e caráter, o resto você treina, né? O resto é fácil, tá? A pessoa tem uma inteligência interpessoal ali, sabe trabalhar em equipe e e é honesta. O resto o resto você treina, o resto é fácil.

31:02» Acho que esse é o ponto principal. É, é, é, é o que a gente às vezes conversando também, né, na nossa vida pessoal, a gente fala que o caráter e isso você não forma, né? É difícil você, claro, não tô dizendo que as pessoas não

31:14mudam, mas a essa questão que vem de berço, que vem da construção da personalidade da pessoa ao longo dos primeiros anos e que se estendem pela juventude, pela vida adulta, isso a gente não forma. a gente ajuda a direcionar eventualmente algum erro

31:28aqui, uma falha aqui, outra ali, mas você não consegue modificar holisticamente a pessoa. Então, às vezes a pessoa nem é tão qualificada assim, às vezes tem várias e eh carências operacionais, mas a gente vê, puxa, vamos investir nela.

31:41» Não, mas vale a pena.

31:41» É uma pessoa que tem caráter, é uma pessoa leal, veste a camisa, » veste a camisa. A gente vai achar, vai ter alguma coisa para essa pessoa aqui.

31:48» Quando é aquela coisa de quando a filosofia combina, né? A filosofia da pessoa combina com a filosofia da empresa, né? fazer bem feito, de tratar bem o próximo. Ah, » e o que que é mais fácil, contratar no

31:59mercado ou formar a equipe interna a partir dessa eh melhora operacional de quem já tem o caráter de vocês?

32:08» Os dois ultimamente os dois têm sido [risadas] difíceis, né? É, como a gente falou, a gente formou pessoas muito boas, né?

32:13» É, na nossa experiência eu posso dizer que a gente conseguiu formar dentro de casa sempre.

32:20» A gente não sabe como é que vão ser as gerações a partir de agora, né? E eu não tô fazendo nenhum juízo de valor aqui.

32:24Eu só tô dizendo que até hoje a, pela nossa experiência, formar dentro de casa sempre funcionou muito bem. A gente teve uma gerente que esteve conosco e saiu há pouquíssimo tempo para tocar um projeto próprio, ficou 27 anos conosco. Ela foi

32:38fundamental nesse processo de amadurecimento do negócio. É, ela foi importantíssima, vai sempre fazer parte da nossa da nossa família. É, é primeiro com o braço direito do meu pai, quando não tínhamos nós ainda, inclusive nós

32:49nos submetíamos à autoridade dela num primeiro momento, até que a gente se equiparou, né? E ela foi fundamental.

32:55equiparou, né? E ela foi fundamental. » É, » então, certamente os valores que foram criados ali dentro até hoje foram os que trouxeram a gente aqui, até onde a gente chegou até aqui.

33:03» E a gente tava conversando um pouquinho antes. Fala um pouquinho mais desses valores. Eu acho que isso é importante para quem tá nos assistindo, né? O que que eh tá ali posto de coração e de visão de vocês além do negócio, né? Você

33:16sempre fala bastante disso. Eu queria que você compartilhasse um pouquinho que você compartilhasse um pouquinho mais.

Objeção: “Pagar tudo certo tira competitividade”: não é opção33:21» É, a gente acha que a moral da pessoa e aí enfim, eu não vou entrar em âmbitos filosóficos, mas » pode entrar, a gente tem tempo.

33:29» pode entrar, a gente tem tempo. [risadas] » Não, mas o que eu quero dizer é que isso não não eh não tem que ser opcional, né?

33:35Eu acho que a moral, por exemplo, pagar todos os impostos de maneira correta, você pagar os seus funcionários, os seus fornecedores nas datas corretas, isso não pode ser opção, poxa, veja bem, vou ver se é possível fazer isso agora ou

33:48não. Não. E aí meu pai sempre criou uma escala e o funcionário é o primeiro que tem que ser pago. Tem que ser pago da maneira correta, no tempo correto. E ele sempre gostou, inclusive, de pagar antes para não gerar nenhum tipo de, pô, vamos

34:00pagar antes. a gente tem o saldo ali, tem o o suficiente, o caixa, vamos pagar antes, então faz diferença e a gente sabe o que faz, né? Então essa parte moral, a a parte da ética com o nosso cliente também, cobrar o preço justo, eh

34:15fornecer o melhor produto possível, tudo isso também sempre foi mandatório no negócio. Esse é um negócio construído com amor, com ética, com verdade, né? E com amor, com ética, com verdade, né? E que nenhum desses valores é negociável. né?

34:30Eu acho que é negociável um produto ou outro no que disz respeito a puxa será, qual que será que é melhor? Poxa, esse valor aqui não tá legal. Vamos a negociação financeira, isso é negociação financeira, isso é negociável,

34:40» mas a a negociação de valores não é.

34:43» mas a a negociação de valores não é. » É, » eu dei uma palestra esses dias na FAI na semana de empreendedorismo deles e como era empreendedorismo, eu tentei isolar três três valores nossos do porque a

34:51gente deu certo como empresa, né? E eu falei, uma das coisas foi isso que o Lucas falou agora, a ética, né? Então, contei até uma historinha eh lá quando meu pai tinha começado a padaria em 92 lá, eh, a Dom Farinha, chegou um dia, um

35:06fiscal da receita chegou lá, falou: "Ó, seu cheio de dedos, seu Adelino, ó, desculpa, deixa eu te pedir um favor, isso não é uma fiscalização, não é. Eu quero entender, eu quero passar uma tarde aqui com uma pranchetinha aqui

35:18para entender como é que vocês tributam tanto sendo uma padaria mais do que grandes lojas de de supermercados » porque ele pagava, ele não pagava mais, ele pagava certo, » certo? Não s negava.

35:28» É, exatamente. [risadas] E naquela época ainda, né, que era exceção, né, » que era autodeclarado, né, tipo, e muito mais dependia da retidão do pai de vocês em fazer o que é devido, fazer o certo.

35:41» Fazer certo. É. E ele o fiscal queria ali e juntar dados para entender quantas pessoas passam lá e quanto que tá tributando no final para poder ter um efeito de comparação, né?

35:50efeito de comparação, né? » Sim.

35:51» E as outras duas coisas é bom conhecer o processo, né? Porque às vezes e a pessoa vai abrir um negócio, vai abrir uma padaria, vou contratar um bom padeiro.

35:58Ah, legal, pode dar certo. Mas se você não conhecer o processo, você não vai administrar tão bem. você vai administrar muito melhor quando você entende de fazer pão, entende como é que faz bolo, como é que faz bolachinha,

36:11como é que você quando você faz o salgado. Eh, então isso te faz administrar muito melhor, entender do processo, né? E a outra coisa é que é o que é o que que a gente falou que é treinar, por exemplo, né? Então, ética, entender do processo próprio do da tua

36:26operação, né? Eh, não é só investir num negócio que para dar mais, você tem que entender também para poder dar o pitaco, né? e fazer junto, né? Eh, treinar por exemplo, pelo exemplo, né?

Objeção: “O modelo é replicável?”: admitida, é difícil36:38» E isso é replicável na tua percepção quando a gente fala em em criar outras lojas e ter isso, como que você imagina replicando isso? Porque entendendo o negócio vocês vão continuar entendendo, mas talvez não vão estar diretamente na

36:52linha de produção e cuidando eh a receita, a medida, o ingrediente, enfim.

36:58Eh, como que você imagina replicando Eh, como que você imagina replicando isso?

37:01» Eu acho que é isso que fal criando essa cultura assim. reforçando a ética, a necessidade da da ética, tendo a filosofia eh conseguindo contratar pessoas com a mesma filosofia, eh » tendo essas bases já bem estabelecidas,

37:14né? A gente tentar replicar e a gente pensa em formatos, né? Claro que » num primeiro momento a gente acredita que não faz sentido querer abrir uma outra loja igual a esta, num outro lugar, seja ele qual for, né? E

37:25Curitiba, poxa, Curitiba é riquíssima em termos de de população, em termos de densidade populacional em determinadas áreas. Então a gente tem alguns alguns centros que a gente pensa em ter um outro negócio, mas não necessariamente

37:37nesse mesmo tamanho. Agora a gente vai criar o modelo. Vamos agora quebrar a cabeça para criar qual que é o modelo ideal para replicar, né? Porque a padaria do jeito que tá é mais difícil de replicar. A gente tem lá, sei lá,

37:488.000 itens expostos lá. É, 8.000 itens expostos lá. É, » tem.

37:52» E não é um impório, gente, é uma padaria. É, é [risadas] uma padaria. Só de só de pães nós temos 100 100 SKU, 100 produtos de panificação, » 700 itens de fabricação própria, diferentes lá.

38:05» Parece loucura, né? Mas na verdade tudo que a gente tem ali que não é pão, serve para vender um pão, suportar o pão, né?

38:12É o pão e e a produção própria em geral, né? Os bolos, as sobremesas.

38:17A gente fala de maneira genérica pão, A gente fala de maneira genérica pão, mas » a ven o croação, » que diga-se de passagem é excelente. O de pistaches » leva meu coração embora e a minha dieta.

38:26» leva meu coração embora e a minha dieta. [risadas] » A gente treina, treina, mas não dá, né, cara? A gente repõe tudo, né?

38:30» Não é. É. Então, » mas eh é, a gente tem ali, a gente fala de pão, os principais setores que a gente tem de produção própria seria o a panificação convencional, a tradicional, a panificação doce que é a Venuseria, a

38:43gente tem a a confeitaria e a gente tem a cafeteria, falando em produção, né? E aí falando em centros de venda, a gente tem a o nosso setor de frios, que ele é muito forte, né? nossa ilha de frios, os nossos embutidos como um todo. A gente

38:56tem daí de novo a cafeteria, balcão e aí o caixa, que são os centros principais aonde a gente trabalha ali a parte de de » de venda, né? É isso aí.

39:07» Acho que a gente respondeu.

39:08» Sim, sim, sim. [risadas] der uma fugidinha ali do que que do que que vai ser feito, qual que é o plano de que vai ser feito, qual que é o plano de exposição.

39:14» Não, a gente tem o plano de abrir loja, mas a gente ainda quer resolver o que fazer lá mesmo. A gente quer, a gente tem um segundo andar ainda para resolver o que fazer, mas já estamos conversando sobre uma segunda possível segunda loja.

39:24Não tem nada batido martelo, mas a gente Não tem nada batido martelo, mas a gente tem tem » ideias, » muita ideia agora que agora a gente quer colocar no papel e e testar elas agora para poder ir pra frente.

39:33» E como que vocês imaginam, né, o próximo passo da família de vocês? Porque vocês são a segunda geração, a terceira geração vem crescendo, né, nas filhas de vocês, os filhos de vocês. E eles já estão lá, né, um pouco envolvidos e

39:49participando e acompanhando. Eh, como que vocês imaginam » essa sequência assim? Vocês acreditam que vai continuar sendo uma empresa de família e e as meninas e os meninos vêm para assumir isso em algum momento, como

40:02eles já dão sinais?

40:04Eh, ou vocês querem não, vamos profissionalizar? Já pensaram sobre profissionalizar? Já pensaram sobre isso?

40:09» Na verdade, assim, você falou, a gente é segunda geração, a gente tem e aspectos de segunda e de terceira geração, né?

40:15Porque quem começou foi minha avó, » apesar da empresa ser do meu pai e da minha mãe hoje, mas quem começou foi minha avó. E minha avó falava assim: minha avó. E minha avó falava assim: "Filhinho, » olha, a primeira geração constrói, a

40:24segunda os reflui, a terceira destrói." segunda os reflui, a terceira destrói." [risadas] » Ou seja, chegou nossa hora destruir.

40:30» É pai rico, filho nobre, neto pobre.

40:33Então ela sempre falava isso, vocês precisam não pode ter aquela síndrome e » é mas isso assim, né, eu com o perdão de do pouco que eu vejo em vocês, isso jamais vai acontecer, né? Porque o pai e a mãe de vocês fizeram um trabalho de

40:48base, de fundamento. Acho que ele daí entra na própria construção da matriz religiosa e do acho que são valores que sustentam isso e que fazem vocês manterem foco no trabalho, nos clientes, na, né, nessa dedicação de balcão que

41:04não vai, né, o o filho nobre [risadas] » ainda não tá lá, ainda não chegou, não, não, não tem esse status de não vou virar um playboy, viver de renda e gastar a fortuna da família. É, não. Mas respondendo a tua primeira pergunta, as

41:19crianças gostam muito de estar lá. O Lucas tava falando isso agora, né?

41:23» Que as crianças, eu eu tenho duas filhas, o Lucas tem duas meninas e um menino. E a Mariana e o Jonathan tem um menino e uma menina. As deles são bebezinhas, mas as nossas gostam muito de estar lá, né? A minha já fez um

41:33programa até de menor aprendiz, ficou um tempo lá trabalhando.

41:36» A minha segunda tem falado muito agora de que ela não sabe se ela vai estudar gastronomia ou administração para aprender a tocar a padaria.

41:43» Que legal.

41:44» É isso. É muito legal. Assim, a gente não sabe se vai conseguir continuar para poder crescer, ser uma empresa tão familiar ou se a gente vai precisar.

41:51Lógico, hoje a gente tem já protocolos de governança corporativa para saber quem pode entrar ou não pode na na no degrau da gestão para cima, né?

41:59» Mas para entrar lá para trabalhar como operacional, ajudar e isso elas adoram e acho que todo mundo ali vai querer passar pelo menos um pouquinho ali, né?

42:07» É, eles eles têm dado essa pincelada, né? Eh, é como Pedro falou, a parte gerencial, a parte de gestão, desculpa, essa parte, pensando já na sucessão e na profissionalização, elas vão ter que se capacitar, assim como elas vão se

42:20capacitar para qualquer área do mercado que elas queiram atuar. Se quiserem estar na padaria, certamente vão ser bem-vindas, mas elas eles vão ter que se preparar para isso, né? E aí no âmbito operacional, que foi onde a gente

42:31começou também, não demanda essa capacitação acadêmica, mas é claro que eles precisam se preparar estando ali, né? Meu pai sempre foi, né, » vocês que criaram esse processo de construção de governança » através de uma consultoria? Uma

42:42consultoria que Sim, » sim. Eh, eu eu eu fiz uma pós em gestão e eu tinha tido uma matéria de gestão de empresas familiares e eu vi cenários catastróficos do que pode acontecer se a empresa não tiver esses protocolos, né?

42:56Então, desde que eu entrei lá e eu falava com o meu pai, ó, a gente precisa fazer um trabalho de de pensar sucessão, pensar esses protocolos, porque até agora, enquanto você tá como como fundador mediador, a

43:11gente tem uma divergência, você resolve e acabou, né? Bate a mão na mesa e e acabou, né? Bate a mão na mesa e [risadas] » mas quando você não tiver, como é que vai ser, né? Então a gente conseguiu convencer ele a a a pegar essa essa essa

43:22consultoria, essa capacitação de fora e aí formulamos um um protocolo de governança, né?

43:28» E dá um exemplo do que que consta nesse protocolo de governança, que eh para quem tá ouvindo pode ser muito rico e até para quem tem empresa familiar e pensa em fazer esse processo sucessório e às vezes é doloroso. O que que que

43:40consta nele? O que que vocês definiram para vocês que pode ser aplicado?

43:44» Basicamente é isso que o Lucas falou, ó.

Objeção: “Herdeiro ganha o cargo”: compete de igual, família é desempate43:45Não é porque é filho que vai entrar e trabalhar lá e mandar em tudo na gestão, não. Tem que est capacidade. Então, basicamente o que tem no nosso protocolo é o seguinte: a pessoa que vem para um cargo de gestão, ela pode ser da família

43:58ou não, vão competir de igual para igual. A questão de ser da família é um desempate, né? Então a pessoa tem que tá no nível do que tem o profissional de mercado para fazer aquela função, né?

44:08Então, ah, é um, vamos falar aí, é um gerente de marketing, OK? O gerente de marketing, que que se espera de um gerente de marketing mercado? Faz entrevistas e tal e aí tem alguém da família com essa capacitação, beleza, entra no processo seletivo. Então é isso

44:22que vai acontecer a partir de agora. As próximas gera a próxima geração que entra para entrar na gestão vai ter que vai ter que tá capacitada. Não pode ser é só porque filho, não, né? Não é porque assina farinha no nome que que vai

44:35tratar o negócio bem, né? Pode ser que não, pode ser que eh pode ser que a Bibi, minha filha, ela seja artista e ela é muito criativa e eu eu fico imaginando ela indo pra confeitaria ser espetacular, mas ela ela ela tá tá

44:47fazendo aula de bateria, ela gosta de música, fez balé, ela é muito artista, então ah, vai ser artista na boa, » né? Não não é porque é farinha que vai ter que ter que » obrigatoriamente » obrigatoriamente trabalhar na empresa,

44:58» obrigatoriamente trabalhar na empresa, né?

44:59» É, eles têm essa opção, né? E bom, falando o que que a gente aprendeu com a consultoria, acho que é principalmente isso. Então é separar o que que é família. Então somos herdeiros, OK? Isso a gente não escolheu e a gente não se

45:12capacitou para isso. Nós somos méritos, por méritos do meu pai, somos herdeiros de algo legal, algo grande, algo bom, algo saudável. Mas aí tem outra questão que é a parte técnica. Somos capazes, né, de operar? Então você falou que

45:26dificilmente a gente vai ser catastrófico na nossa geração. Cara, estamos sujeitos, né? Então a gente tem a todo momento se atentado para isso, tentado. A gente lê bastante, a gente ouve bastante os clientes, a gente se comunica bastante entre nós para tentar

45:40entender o que que a gente pode fazer nesse momento com essas consultorias e os profissionais externos, como que eles, que que a gente precisa fazer, tá?

45:47Estamos nesse ponto e agora a partir de agora, né? E aí falando das crianças, é isso. Ah, se as crianças querem participar, elas vão participar, mas não existe nenhum tipo de pressão para que isso aconteça, né? E não existe nenhum

45:59tipo de puxa, a gente quer que você esteja aqui. Não, você pode estar aqui e você vai participar do processo e vai ser bom.

46:05» Vocês também não tiveram nenhum tipo de » Vocês também não tiveram nenhum tipo de pressão?

46:08» Um pouquinho só, né? Assim, [risadas] para trabalhar lá, lá, » é para assumir, para dar continuidade.

46:13» É, não, eu falo brincando só. Tanto que a Mariana é veterinária, eu sou farmacêutico, o Lucas fez administração que combina, mas mas não necessariamente para administrar padaria, » não foi uma pressão psicológica, né?

46:23» Mas foi uma pressão, ele sempre » Mas foi uma pressão, ele sempre incentivou, » ele sempre falou que gostaria, mas eles dois, né? Meu pai e minha mãe, mas nunca forçaram a barra.

46:30» Não, não, não, nunca. A gente sempre teve acesso, tanto que eu estagiei durante o período de faculdade, o Pedro também estagiou e trabalhou também profissionalmente, né, fora da padaria.

46:40Até acho, até acho que pra nossa pra nossa geração faltou até mais experiências fora, porque isso ajuda experiências fora, porque isso ajuda muito.

46:47» Quando eu penso nas nossas filhas, eu filhos, né, no caso, eu acho que o ideal é é OK, vem, aprende a trabalhar com a gente aí, vai fazer o vestibular, constrói tua carreira, aí vai ter mais experiência, vai se formar com o mercado

47:01» e aí depois volta para trazer essa experiência, para adicionar essa experiência ao nosso negócio. E tanto a gente, eu falei brincando que a gente sofreu pressão, mas tanto que meu pai sempre falou, inclusive uma das

47:11possibilidades, então a gente tinha basicamente três, seguindo o nosso ramo de atuação, eu na administração, ele na farmácia, minha irmã veterinária, a outra era trabalhar na empresa familiar, na padaria. E a outra ele sempre propôs:

47:23"Se vocês quiserem abrir um negócio, eu vou lá, eu vou ajudar vocês, eu vou abrir o negócio." Eh, » quer empreender por conta, vai empreender por conta, vocês vão ter o meu suporte. Então, sempre foi muito muito muito leve nesse sentido. Eh,

47:36» vocês cresceram com essa veia empreendedora, assim, ele desde pequeno ele incentivava isso? como que Claro, né? A o exemplo forma, né?

47:43» Mas eh a gente sabe que eh conversar, orientar também é parte desse processo.

47:50Vocês tinham esse essa consciência do trabalho, dinheiro, eh esforço, construção de negócio, pagar os os funcionários antes às vezes de tirar lucro próprio.

48:04» Eh, como que foi essa formação empreendedora em casa de vocês? E as vivências era uma conversa, vocês levavam negócio paraa mesa de jantar.

48:12» Eu acho que não tanto, né, assim, eh, formalmente, né, não formalmente, mas formalmente, né, não formalmente, mas informalmente » formalmente sim, era muito, muito, muito natural para nós natural, tudo misturado. É.

48:21» E não era empreendedor, era comerciante.

48:24» E não era empreendedor, era comerciante. [risadas] » Que na essência o comerciante é um empreendedor. Mas eu lembro que eu perguntava pra minha mãe, né, às vezes tinha trabalho de escola, profissão do pai, mamãe, que que o papai é? Ele é

48:33comerciante. Então, para porque é diferente, né, o até o status, né? É que hoje tem mais glamur de você fazer empreendedor, empresário. E eles não tinham essa coisa, ah, o seu Adelino é o CEO da família, não. [risadas] » Hoje o cara vai lá, abre a empresa no

48:47cartãozinho, tá lá CEO, né?

48:49» Se é SEO de si mesmo, né? Isso.

48:51» Se é SEO de si mesmo, né? Isso. [risadas] » E e essa humildade meus pais sempre tiveram, né, de não eh sempre foram muito humildes nesse sentido de n, sem muito humildes nesse sentido de n, sem dúvida, » não. E essa coisa que você falou,

49:02primeiro pagar o que tem que pagar, primeiro investir no negócio, depois retirar, né? Não tem essa de eh empresa pobre e sócio rico. Não, pera aí, é ao contrário. Tem que ser empresa rica e sócio pobre. Aí começou a a sobrar, aí

49:16começa a retirar mais. Então isso isso meu pai sempre foi muito exemplar nesse sentido, né? A Mariana, minha irmã, às vezes fala: "Pô, papai, você podia estar com um carro melhor, [risadas] tá andando com esse carro velho aí? Não,

49:26filho, não precisa demais. Estamos na boa". E aí depois a hora que deu.

49:30» Sim, né?

49:31» É. E a gente realmente a gente isso e aí eu acho que tem a ver com característica de criação, né? Mas a gente não liga pras coisas, né? A gente liga muito mais pras experiências, pros relacionamentos, né? Mesmo na padaria custou para ele ter

49:43um escritório, por exemplo. Meu pai não tinha escritório. O escritório era o balcão, o escritório era onde dava, né?

49:48» Sim. Sim.

49:49» Sim. Sim. » E » era o caixa na Dom, na época da Dom Farinha, o escritório era o caixa, né?

49:52Tinha o caixa e do lado do caixa dele, » os compromissos para pagar, agenda de pagamentos de fornecedores e e os os olerites e tudo ali.

50:01» Às vezes até meio caótico, mas funcionava, né? Era como ele funcionava, né? É, porque ele era ele era eh gerente, diretor e ainda tava no operacional, né? Cuidava do do dos fornecedores, cuidava da produção.

50:16» Sim. E então é isso, as conversas sempre foram informais, né? A gente nunca teve uma instrução formal de empreendedorismo, de como fazer, o que que precisa ser feito, mas até porque muito do empreender tem a ver com a

50:27nossa vida pessoal, a forma como a gente leva a nossa vida pessoal, os nossos relacionamentos, né, com colegas, amigos, eh, seja numa academia, seja numa escola, seja onde a gente tiver, né? Então, tudo isso foi muito natural

50:39para nós. E aí a gente replicar isso pro negócio tem sido natural, né? Desde é um processo leve, um processo leve. É, eu vejo muita família que tem esse problema, né? Pô, não traz o negócio pra mesa de jantar. não traz os problemas,

50:50mas não era assim. O que meu pai trazia era o meu pai e minha mãe conversando e ensinando era aproveitar os fatos do dia do que aconteceu no negócio » para mostrar as lições. Ó, então fizemos assim por causa disso, disso, daquilo,

51:03né? Ah, o cliente veio, reclamou, a gente não sabia se ele tinha razão, mas a gente, ó, desculpe, vem cá, então deixa eu fazer de novo pro senhor para o cliente poder essa coisa do cliente sair satisfeito, não custe o que custar, é

51:16algo que ele sempre batia nessa tecla, né? Então, contava os caus do dia para reforçar essa essa esse ensinamento, né, » cara? É muito rico. É muito rico demais, » cara? É muito rico. É muito rico demais, né?

51:25» São vivências e e lições que se aplicam a tudo.

51:30» Eram pequenos podcasts diários que tinha na mesa, né?

51:33» É isso. Isso. Isso.

51:34» E isso faz toda a diferença, né, no processo de construção, de evolução.

51:39» E isso reflete na entrega final, porque quando o cara tá lá, o cara sente essa leveza, o compromisso com a entrega, a família em primeiro lugar. Eu acho que eh o propósito, claro, gera um negócio funcional, eficiente.

51:53funcional, eficiente. » Uhum.

51:53» Sem dúvida. E e ele sempre colocou a empresa, de novo, a empresa como um estabelecimento que precisa ser sustentável, mas eh para servir a família quando era ele e a minha mãe, né? E aí tanto que assim que ele pôde,

52:07ele passou a participar de todo o almoço, né? O jantar ainda ficava mais difícil porque ele fechava a loja, né?

52:13Então ele sempre que ele podia ele ele vivia pra família, né? Então isso é algo que a gente tem aprendido e tem tentado replicar também nas nossas famílias, claro que com as nossas falhas e dificuldades, até porque eh a gente nós

52:25somos pessoas diferentes vivendo num tempo diferente, né?

52:28» Claro. Hoje a rotina é talvez infinitamente mais corrida e » é o os dias são corridos, né? As próprias redes fazem com que seja mais corrido, que que demande mais de nós intelectualmente, né? Emocionalmente

52:42também. Então, enfim, são tempos diferentes, mas que, graças a Deus a gente poôde aprender muito com os nossos pais. Temos aprendido ainda, né? Mas hoje a gente também já cria os nossos as nossas formas de pensar individuais que

52:55a gente tenta replicar nas nossas pequenas famílias também.

52:58» Muito legal. Muito legal. A gente tá encerrando, tá caminhando já pro pro encerrando, tá caminhando já pro pro final.

53:03» Passou rápido.

53:04» Ah, e passa. Dava para conversar mais [risadas] 2 horas, 3 horas.

53:09» É que lições, né? Primeiro, Pedro, por favor, e Lucas, depois, o que que você gostaria de dizer, deixar registrado, né, que vai ficar na internet, vai ficar pro futuro, eh, o que que você gostaria de deixar registrada a sua experiência,

53:25né, de vida e como um dos líderes da família Farinha e relacionando um pouco de vivência de casa, a importância dos pais e o negócio daqui paraa frente. Tem algo que você

53:39» a gente, acho que a gente falou muito disso, né? Já sintetizar. É basicamente é isso tudo que a gente falou agora, mas é isso tudo que a gente falou agora, mas » muito » e eu acho que é isso. É é é é esse

53:48caminho de Jesus que é o que a gente entende que é o melhor caminho, né? Que é o caminho que vai levar a realização, sucesso de vida, realização de vida, né?

53:58Ah, a ideia de, como eu falei, empresa, empresa, a gente pode até não tá bem de dinheiro, mas a empresa tem que tá bem.

54:03Então, primeiro cuidar eh da saúde financeira para poder depois então não se apegar bem material. Isso foi algo que a gente aprendeu com os nossos pais, né? Ah, não preciso mostrar o carro que eu tenho, eu não preciso eh me eh me

54:16vestir com a marca tal, não. E então esse desapego a bens materiais, que eu acho que é algo que fez a gente administrar certo, ter as prioridades certas, né? É isso aí. e e tratar o próximo, tratar o meu pai, meu pai

54:32sempre fala isso e e a gente incorporou.

54:36O o cliente é rei, o cliente é o rei, mas o funcionário é o príncipe, o o fornecedor é príncipe, o prestador de serviço é príncipe, né?

54:45» Todo mundo que tá no ecossistema tem » todo mundo tem valor e tem que ser bem tratado para para que aquilo continue rodando direito.

54:51» E ninguém faz nada sozinho, né?

54:53» É, exatamente.

54:54» Ninguém faz nada sozinho, isso » não. E é isso aí, cara. É, tentando sintetizar isso tudo que a gente conversou, eu acho que e eu aprendi muito, né? Porque eu eu sou meio metódico, a minha cabeça funciona com

55:07caixinhas, então eu tenho que procurar os departamentos para poder eh sintetizar uma ideia. Mas eh a vivência dentro do empreendimento com quem é empreendedor de fato, porque eu não eu não me vejo como um empreendedor nato,

55:20aquele cara que nasceu para empreender, para fazer acontecer, diferente do meu pai, né, que só não foi mais arrojado porque ele não tinha um encalço, ele tinha era, se ele errasse, ele não tinha a quem recorrer, né? Então ele foi muito

55:32conservador sempre, senão ele teria deslanchado muito mais, com certeza, né?

55:36Eh, eu já não me vejo dessa forma, mas graças a esse a essa estrutura que foi criada, eu posso me desenvolver em várias áreas dentro da empresa e fora dela, né? Então, a empresa tem me gerado uma oportunidade de desenvolvimento

55:48pessoal e desenvolvimento profissional, cara, que eu não sei se teria em outro lugar, né? A experiência morando fora foi fundamental também para minha vida pessoal, mas a a vivência empresarial dentro de uma empresa séria que que

56:01trata os funcionários, os fornecedores, os pares eh de uma maneira igualitária, de uma maneira eh eh responsável, intencional, né? Os relacionamentos eles precisam acontecer de maneira intencional. Tudo isso tem nos feito

56:16crescer absurdamente, cara. E eu tento passar um pouco disso pra minha família, né? Pros meus, a gente trocando, né? eu, meu irmão, o Jonathan, a gente tenta manter esse aspecto de crescimento mútuo e desenvolvimento, ah, não só

56:31empresarial, mas pessoal também, né?

56:33Ninguém solta a mão de ninguém.

56:34Ninguém solta a mão de ninguém. [risadas] » Muito bom, muito bom. E esse crescimento reflete em tudo, né? A gente vai multiplicando, dividindo e sempre paraa multiplicando, dividindo e sempre paraa frente.

56:43» Gente, muito obrigado para quem chegou até aqui, né? Eh, curta, comente, compartilhe, né? Sigam as redes sociais, né? Sigam a Stoices, entrem no nosso site e bora tomar um café, né, na família Farinha, bora ir lá visitar,

56:59conhecer a linha de produção deles, que com certeza vão ser bem recebidos. Muito obrigado, uma excelente noite, dia ou tarde para quem tiver assistindo fora da live e até a próxima. Valeu, live e até a próxima. Valeu, » valeu.